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Conheça a técnica baseada em ‘imagens mentais’ que pode ajudar a melhorar a qualidade do sono


A dificuldade para desligar o cérebro durante a noite atinge muitas pessoas ansiosas, transformando o momento de repouso em um período de pensamentos repetitivos e difíceis de controlar. Para quem lida com isso, diversas estratégias tradicionais já foram testadas, como exercícios de respiração ou contagem regressiva, mas nem sempre produzem resultados consistentes. Nesse contexto, uma técnica chamada 'embaralhamento cognitivo' (termo 'cognitive shuffling', em inglês) surge como alternativa simpl

Por Flipar
Sander Sammy/Unsplash

O método parte de um princípio básico: ocupar o cérebro com estímulos neutros e desconectados. A prática começa com a escolha de uma palavra qualquer, como 'pudim'. A partir dela, o indivíduo utiliza cada letra como ponto de partida para criar novas palavras, visualizando mentalmente cada uma delas em sequência. Ao esgotar as opções com uma letra, passa-se à seguinte. Exemplo: 'p' de prato, parede e panela; 'u' de uva, umidificador e usina; e assim suscessivamente.

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A lógica por trás dessa técnica se conecta ao funcionamento natural do cérebro nos momentos que antecedem o sono. Nessa fase, conhecida como composição hipnagógica, os pensamentos tendem a se tornar mais soltos, aleatórios e visuais. O embaralhamento cognitivo tenta reproduzir esse padrão de forma intencional, criando uma espécie de “atalho” para o estado de sonolência. Ao interromper o fluxo de preocupações, ele reduz a atividade mental associada à vigília e favorece o relaxamento.

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'A teoria é que, durante o embaralhamento cognitivo, o cérebro se encontra, em certos aspectos relevantes (mas nem todos), como no início do sono normal [...] as imagens variadas não são apenas um subproduto do adormecimento, são uma indicação', explicou o professor que desenvolveu a técnica, Luc P. Beaudoin, da Universidade Simon Fraser, no Canadá.

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Ao desenvolver a ideia, Luc Beaudoin buscava uma alternativa mais dinâmica a técnicas anteriores baseadas em visualizações prolongadas. Em estudos com pessoas que enfrentavam dificuldades para dormir, o método apresentou eficácia comparável a abordagens tradicionais, como escrever sobre preocupações antes de deitar.

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A vantagem do embaralhamento cognitivo, segundo ele, está na simplicidade e na possibilidade de aplicação imediata, sem necessidade de preparação prévia. 'Ao fazê-lo, ele tenta imitar os padrões de pensamentos difusos, desconectados e aleatórios que o cérebro começa naturalmente a gerar quando adormecemos', disse a psicóloga e pesquisadora do sono, Eleni Kavaliotis.

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Especialistas explicam que o sucesso da técnica está na sua capacidade de redirecionar a atenção. Em vez de tentar bloquear pensamentos, o que costuma gerar efeito contrário, o cérebro recebe uma tarefa leve e repetitiva que ocupa seus recursos cognitivos. Esse processo reduz a intensidade das ideias intrusivas e facilita a transição para o sono.

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Apesar dos resultados positivos, o método não funciona da mesma forma para todos, já que cada pessoa lida de maneira diferente com seus próprios pensamentos e níveis de ansiedade. Algumas podem achar a técnica confusa ou pouco intuitiva no início, enquanto outras conseguem se adaptar rapidamente e incorporá-la à rotina noturna com facilidade.

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A resposta varia de acordo com o perfil mental e a forma como cada indivíduo lida com o estresse. Ainda assim, a técnica ganhou popularidade, especialmente nas redes sociais, onde relatos de usuários reforçam sua utilidade no dia a dia.

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O embaralhamento cognitivo não deve ser visto como solução definitiva para todos os casos de insônia, sobretudo os mais persistentes. Quando a dificuldade para dormir se torna frequente, pode ser necessário adotar outras estratégias ou buscar orientação profissional.

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Ainda assim, a técnica representa uma ferramenta acessível e de baixo esforço, capaz de ajudar muitas pessoas a reduzir o ruído mental que impede o descanso. No fim das contas, o método ilustra uma ideia importante: dormir melhor nem sempre depende de silenciar completamente a mente, mas sim de direcioná-la de forma mais leve e desorganizada.

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Para aqueles que não se adaptam aos jogos de palavras, outras opções como a 'reconcentração cognitiva' ou a escrita de listas de tarefas antes de deitar podem auxiliar na redução da ansiedade noturna e na conquista de uma noite mais tranquila.

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