Tizuka nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1949, e passou parte da infância em ambientes fortemente ligados à cultura japonesa. Seus pais eram imigrantes e dentro de casa predominavam hábitos, valores e o idioma nipônico. Ela foi criada em Atibaia, no interior de São Paulo, e ainda jovem mudou-se para a capital. Posteriormente, foi para Brasília, onde inicialmente ingressou no curso de arquitetura. Em seguida, ela decidiu seguir outro caminho e ingressou no curso de cinema da Univer
Durante o período universitário, Tizuka realizou curta-metragens e passou a trabalhar com nomes fundamentais do Cinema Novo. Um de seus principais mestres foi o cineasta Nelson Pereira dos Santos, com quem colaborou em projetos e produções importantes. No longa “O Amuleto de Ogum”, lançado em 1974, atuou como continuísta e fotógrafa de cena.
Ela também trabalhou ao lado de Glauber Rocha, participando de produções emblemáticas do cinema nacional. Essa convivência com grandes realizadores ajudou a moldar sua formação artística e política, especialmente em um período marcado pela censura e pela repressão da ditadura militar.
Ainda nos anos 1970, Tizuka decidiu fundar sua própria produtora, a CPC — Centro de Produção e Comunicação. A iniciativa representou um passo importante de independência profissional em uma indústria cinematográfica ainda profundamente dominada por homens.
A criação da empresa permitiu que ela desenvolvesse projetos próprios e colaborasse em produções relevantes do cinema brasileiro, incluindo trabalhos de Hugo Carvana “Bar Esperança”, Neville D’Almeida (“Rio Babilônia”) e Glauber Rocha (“Idade da Terra”).
A grande virada de sua carreira aconteceu em 1980 com o lançamento de “Gaijin – Caminhos da Liberdade”, seu primeiro longa-metragem como diretora. O filme abordava a imigração japonesa para o Brasil no início do século 20, inspirando-se em histórias reais da própria família da cineasta. A produção recebeu forte reconhecimento da crítica, venceu importantes premiações, como melhor filme no Festival de Gramado, e foi exibida em festivais internacionais como Cannes e Berlim.
Seus filmes seguintes passaram a discutir identidade nacional, memória, questões femininas e transformações sociais do Brasil contemporâneo. Em obras como “Parahyba Mulher Macho” (1983), inspirado na trajetória da revolucionária Anayde Beiriz, e “Patriamada” (1984), a diretora explorou temas ligados à política e comportamento em um país que vivia o processo de redemocratização após anos de regime militar.
Na década de 1980, Tizuka também consolidou presença na televisão. Dirigiu telenovelas importantes da extinta Rede Manchete como “Kananga do Japão”, de 1989, e “Amazônia”, exibida em 1992. As produções chamaram atenção pela estética cinematográfica, pela valorização de cenários naturais e pela tentativa de fugir do padrão visual tradicional da televisão brasileira daquele período.
Tizuka alcançou enorme popularidade comercial ao dirigir filmes como “Lua de Cristal”. Lançado em 1990, ele tornou-se um fenômeno de bilheteria e um dos maiores sucessos do cinema brasileiro daquela década. Outro grande sucesso popular veio em 1997 com “O Noviço Rebelde”, estrelado por Renato Aragão. O filme, uma paródia de “A Noviça Rebelde” (1965), consolidou ainda mais a capacidade da diretora de circular entre o cinema autoral e produções de apelo massivo, algo relativamente raro entre cinea
Em 2005, Tizuka Yamasaki retornou ao universo da imigração japonesa com “Gaijin – Ama-me como Sou”, continuação do filme de 1980. Ela também dirigiu o longa 'Encantados'. Gravado entre 2008 e 2009, a produção só foi concluída anos depois, chegando oficialmente ao público apenas em 2017. O filme mergulha no imaginário místico da Ilha do Marajó, explorando elementos da cultura amazônica, espiritualidade e tradições populares da região Norte do Brasil.
A cineasta recebeu homenagens e distinções importantes, entre elas a Ordem do Mérito Cultural, em 2000, concedida pelo Ministério da Cultura em reconhecimento à contribuição artística prestada ao país.