Celebridades e TV

Tizuka Yamasaki faz 77 anos: relembre a carreira da cineasta nipo-brasileira


Em 12 de maio de 2026, a cineasta nipo-brasileira Tizuka Yamasaki completou 77 anos. Diretora, produtora, roteirista, assistente de direção e designer de produção, ela construiu uma carreira marcada pela diversidade de estilos e formatos, transitando entre o cinema autoral, os grandes sucessos populares, as novelas de televisão e produções voltadas à valorização da identidade brasileira. Ao longo de mais de quatro décadas de atuação, Tizuka se destaca tanto pela força estética de obras ligadas à

Por Flipar
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Tizuka nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1949, e passou parte da infância em ambientes fortemente ligados à cultura japonesa. Seus pais eram imigrantes e dentro de casa predominavam hábitos, valores e o idioma nipônico. Ela foi criada em Atibaia, no interior de São Paulo, e ainda jovem mudou-se para a capital. Posteriormente, foi para Brasília, onde inicialmente ingressou no curso de arquitetura. Em seguida, ela decidiu seguir outro caminho e ingressou no curso de cinema da Univer

Reprodução do Youtube Canal Estadão

Durante o período universitário, Tizuka realizou curta-metragens e passou a trabalhar com nomes fundamentais do Cinema Novo. Um de seus principais mestres foi o cineasta Nelson Pereira dos Santos, com quem colaborou em projetos e produções importantes. No longa “O Amuleto de Ogum”, lançado em 1974, atuou como continuísta e fotógrafa de cena.

J. Freitas/ABr/Wikimédia Commons

Ela também trabalhou ao lado de Glauber Rocha, participando de produções emblemáticas do cinema nacional. Essa convivência com grandes realizadores ajudou a moldar sua formação artística e política, especialmente em um período marcado pela censura e pela repressão da ditadura militar.

Reprodução do instagram @tizuka.yamasaki

Ainda nos anos 1970, Tizuka decidiu fundar sua própria produtora, a CPC — Centro de Produção e Comunicação. A iniciativa representou um passo importante de independência profissional em uma indústria cinematográfica ainda profundamente dominada por homens.

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A criação da empresa permitiu que ela desenvolvesse projetos próprios e colaborasse em produções relevantes do cinema brasileiro, incluindo trabalhos de Hugo Carvana “Bar Esperança”, Neville D’Almeida (“Rio Babilônia”) e Glauber Rocha (“Idade da Terra”).

Reprodução do Youtube Canal Mostra de Cinema da Amazônia

A grande virada de sua carreira aconteceu em 1980 com o lançamento de “Gaijin – Caminhos da Liberdade”, seu primeiro longa-metragem como diretora. O filme abordava a imigração japonesa para o Brasil no início do século 20, inspirando-se em histórias reais da própria família da cineasta. A produção recebeu forte reconhecimento da crítica, venceu importantes premiações, como melhor filme no Festival de Gramado, e foi exibida em festivais internacionais como Cannes e Berlim.

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Seus filmes seguintes passaram a discutir identidade nacional, memória, questões femininas e transformações sociais do Brasil contemporâneo. Em obras como “Parahyba Mulher Macho” (1983), inspirado na trajetória da revolucionária Anayde Beiriz, e “Patriamada” (1984), a diretora explorou temas ligados à política e comportamento em um país que vivia o processo de redemocratização após anos de regime militar.

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Na década de 1980, Tizuka também consolidou presença na televisão. Dirigiu telenovelas importantes da extinta Rede Manchete como “Kananga do Japão”, de 1989, e “Amazônia”, exibida em 1992. As produções chamaram atenção pela estética cinematográfica, pela valorização de cenários naturais e pela tentativa de fugir do padrão visual tradicional da televisão brasileira daquele período.

Reprodução do instagram @tizuka.yamasaki

Tizuka alcançou enorme popularidade comercial ao dirigir filmes como “Lua de Cristal”. Lançado em 1990, ele tornou-se um fenômeno de bilheteria e um dos maiores sucessos do cinema brasileiro daquela década. Outro grande sucesso popular veio em 1997 com “O Noviço Rebelde”, estrelado por Renato Aragão. O filme, uma paródia de “A Noviça Rebelde” (1965), consolidou ainda mais a capacidade da diretora de circular entre o cinema autoral e produções de apelo massivo, algo relativamente raro entre cinea

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Em 2005, Tizuka Yamasaki retornou ao universo da imigração japonesa com “Gaijin – Ama-me como Sou”, continuação do filme de 1980. Ela também dirigiu o longa 'Encantados'. Gravado entre 2008 e 2009, a produção só foi concluída anos depois, chegando oficialmente ao público apenas em 2017. O filme mergulha no imaginário místico da Ilha do Marajó, explorando elementos da cultura amazônica, espiritualidade e tradições populares da região Norte do Brasil.

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A cineasta recebeu homenagens e distinções importantes, entre elas a Ordem do Mérito Cultural, em 2000, concedida pelo Ministério da Cultura em reconhecimento à contribuição artística prestada ao país.

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