Os objetos haviam desaparecido há décadas, em um período marcado por furtos e dispersões de bens sacros em igrejas históricas brasileiras, especialmente entre os anos 1970 e 1990. Muitas dessas peças acabaram incorporadas ao mercado de antiguidades, apesar da legislação brasileira determinar que bens pertencentes a igrejas tombadas não podem ser vendidos ou retirados de seus acervos originais.
A devolução reforçou o reconhecimento da pequena igreja histórica do Centro do Rio de Janeiro como um dos principais exemplos brasileiros de recuperação de patrimônio cultural desaparecido. O sucesso das recuperações não surgiu de descobertas ocasionais, mas de um longo trabalho baseado em pesquisa histórica, documentação detalhada e monitoramento constante do acervo. As peças foram identificadas pela própria irmandade em catálogos de leilões realizados no estado de São Paulo.
Após a descoberta, a igreja acionou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Polícia Federal, responsáveis pelos procedimentos de recuperação e restituição. A Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores possui um dos conjuntos documentais mais completos entre os templos religiosos brasileiros, incluindo inventários antigos e registros produzidos desde a década de 1940.
Nos anos 2000, o acervo também passou a integrar levantamentos nacionais sobre bens móveis e integrados. A soma dessas informações permitiu estabelecer vínculos precisos entre objetos e seu local de origem, mesmo após décadas de dispersão provocadas por furtos, reformas e perdas patrimoniais.
Outro elemento importante nesse processo envolve a atuação do provedor da irmandade, Claudio André de Castro, que acompanha leilões e vendas virtuais em busca de itens suspeitos relacionados ao acervo da igreja. O trabalho exige conhecimento histórico, identificação iconográfica e análise de marcas de procedência.
O caso da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores incentivou a ampliação de ações de preservação do patrimônio religioso, com dioceses e irmandades investindo mais em inventários e documentação histórica. Especialistas reforçam que a proteção desses bens depende da atuação conjunta entre instituições, pesquisadores e as próprias comunidades.