Animais

Espécie rara de peixe, Poecilia formosa é capaz de ‘se clonar’ sem precisar de machos e intriga cientistas


Espécie de peixe curiosa, formada somente por fêmeas, voltou recentemente ao centro das atenções da ciência por colocar em debate uma das ideias mais aceitas da biologia evolutiva: a noção de que a reprodução é essencial para garantir diversidade genética ao longo das gerações. O caso da molinésia-amazona (Poecilia formosa) chama a atenção justamente por mostrar que existem caminhos alternativos de sobrevivência na natureza, já que ela apresenta um sistema reprodutivo bastante incomum entre vert

Por Flipar
iNaturalist/Nick Loveland

No caso dessa espécie que habita águas doces entre o sul dos Estados Unidos e o México, todos os indivíduos são fêmeas e a continuidade da linhagem ocorre por meio de um processo que há décadas desperta o interesse de pesquisadores.

Divulgação/Universita?t Wu?rzburg

Estudos recentes voltaram a investigar como esse peixe conseguiu persistir por tanto tempo sem depender da recombinação genética típica entre machos e fêmeas. Eles utilizam a chamada ginogênese para se perpetuar.

Reprodução @juanmiguelartigasazas

Nesse sistema, a fêmea precisa do esperma de machos de outras espécies aparentadas para iniciar o desenvolvimento dos ovos; no entanto, o DNA masculino raramente é aproveitado. Assim, os descendentes nascem praticamente idênticos à mãe, como cópias genéticas.

iNaturalist/Alberto Alcalá

Em geral, esse tipo de reprodução é considerada vantajosa exatamente por ampliar a variedade genética e aumentar as chances de sobrevivência a longo prazo — o fato de essa espécie existir há milhares de anos sugere que a evolução pode seguir trajetórias mais diversas do que se imaginava.

Wikimedia Commons/Finn Wigström/Facebook

Os cientistas acreditam que a origem dessa linhagem esteja relacionada ao cruzamento antigo entre duas espécies próximas de molinésia, o que teria dado origem a um híbrido. Desde então, essa população composta apenas por fêmeas continua se mantendo ao longo das gerações por meio desse mecanismo singular.

Flickr - kjellnilsson1