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Sibéria tem terceira maior jazida de nióbio do planeta; conheça esse mineral precioso


A mineradora Polymetal revelou que identificou, na primeira metade da década de 2020, a terceira maior reserva de nióbio do mundo. O depósito está localizado no nordeste da Sibéria, na Rússia, mais precisamente em Tomtor, na República de Sakha, região formada por diversas pequenas aldeias e considerada estratégica para o setor mineral russo. Além do nióbio, o depósito também abriga grandes quantidades de minerais conhecidos como terras raras.

Por Flipar
Polymetal - Nióbio - ICT Group/Wikimédia Commons

Esses elementos são considerados estratégicos para a indústria moderna, pois são utilizados na fabricação de smartphones, computadores, semicondutores, equipamentos eletrônicos avançados e até componentes empregados na indústria aeroespacial e militar. Segundo informações divulgadas pela imprensa russa na época, estudos de viabilidade para exploração da área seriam realizados antes da implantação do projeto.

Polymetal - Nióbio - ICT Group/Wikimédia Commons

Na época, a expectativa era de que o projeto se tornasse um dos mais importantes empreendimentos minerais da Rússia, com capacidade planejada para produzir aproximadamente 170 mil toneladas de minério por ano. Isso resultaria em um aumento da participação da Rússia no mercado global de minerais estratégicos.

Reprodução de vídeo G1

O Brasil segue como o maior fornecedor de nióbio do mundo. Uma das maiores reservas do mundo está no município de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, na fronteira com Venezuela e Colômbia, com volume estimado em cerca de 2,9 bilhões de toneladas.

Reprodução de vídeo G1

Entretanto, a exploração desse local não é permitida, pois a região está localizada em terras indígenas e também em áreas de proteção ambiental, incluindo o Parque Nacional do Pico da Neblina e a Reserva Biológica Estadual do Morro dos Seis Lagos.

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Outra grande reserva em plena operação fica em Araxá, no Triângulo Mineiro, com mais de 800 milhões de toneladas estimadas e capacidade produtiva garantida por mais de 100 anos, ou 400 anos se considerados os depósitos subterrâneos. Grande parte desse mineral é extraído pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que exporta o material para dezenas de países.

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O nióbio é um elemento químico de símbolo Nb, número atômico 41 e massa atômica 92,9u. Pertence ao grupo dos metais de transição e, em condições normais, apresenta-se em estado sólido. Seu nome tem origem mitológica e vem de Níobe, filha de Tântalo e Dione na mitologia grega, uma referência à sua relação com o elemento tântalo, ao qual é quimicamente muito semelhante.

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A história do nióbio começa em 1801, quando o químico inglês Charles Hatchett identificou um material semelhante ao tântalo e o chamou de colúmbio. Em 1809, William Hyde Wollaston concluiu erroneamente que os dois elementos eram idênticos. Décadas depois, o químico alemão Heinrich Rose demonstrou que os minérios de tântalo continham um segundo elemento distinto, ao qual deu o nome de nióbio. O reconhecimento oficial como elemento químico só veio em 1949.

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Bastam 400 gramas de nióbio por tonelada de aço para gerar materiais muito mais leves e resistentes. Essa característica faz dele um aliado fundamental da indústria siderúrgica, sendo vendido na mineração, principalmente, na forma de ferronióbio, ou seja, é composto por cerca de dois terços de nióbio e um terço de ferro. Em maior escala, é empregado na produção de aços especiais e superligas de alto desempenho.

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Aliás, o nióbio também possui aplicações em áreas como eletrônica, óptica, joalheria e tecnologia nuclear. Sua resistência à corrosão e suas propriedades especiais fazem com que seja utilizado em equipamentos que exigem alto desempenho e longa vida útil. É usado em automóveis, turbinas de avião, gasodutos, navios, aparelhos de ressonância magnética, aceleradores de partículas, lentes ópticas, piercings e bijuterias.

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O termo “terras raras”, por sua vez, designa um grupo de 17 elementos químicos: escândio, ítrio, lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio. Apesar do nome, esses elementos não são raros na Terra, o cério, ítrio e neodímio, por exemplo, são relativamente abundantes.

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É dizer, a raridade das terras raras não está na quantidade em que existem, mas na dificuldade de encontrá-las em estado puro. Elas tendem a ser encontradas dispersas e misturadas a outros minerais, o que torna sua extração e refinamento processos tecnicamente complexos e caros. É essa dificuldade que justifica o nome e explica o alto valor estratégico desses elementos no mercado global.

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