Animais

Grou-japonês, a ave da sorte do Japão, que está em perigo de extinção


O grou-japonês, também chamado de grou-da-manchúria (Grus japonensis), é uma bela e majestosa ave nativa da Ásia, presente no Japão, China, Coreia e Mongólia. Essa ave cativa olhares e carrega muita simbologia em diversas culturas. No Japão, por exemplo, o grou-japonês é reverenciado como um emissário da sorte, longevidade e até imortalidade, e aparece com frequência em obras de arte, lendas e contos populares. Muitas vezes, nessas manifestações artísticas, seres imortais eram retratados voando

Por Flipar
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Entretanto, na realidade, a espécie está em perigo de extinção. Estima-se que existam apenas cerca de 1.380 aves da espécie na natureza. Esse número vem caindo gradativamente devido a fatores como perda de habitat, caça e envenenamento. O desenvolvimento urbano e agrícola fragmenta e destrói as áreas úmidas e os campos abertos, que são essenciais para a alimentação, reprodução e descanso dessas aves. Sem esses espaços, os grous perdem as condições necessárias para sobreviver e se reproduzir com

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A caça, apesar de ilegal em muitos países, também é uma ameaça, impulsionada pela crença infundada, diga-se de passagem, de que partes do corpo da ave possuem propriedades medicinais. Essa prática coloca em risco indivíduos que já fazem parte de uma população extremamente reduzida. O envenenamento acidental por agrotóxicos também contribui para o declínio da população, já que as aves podem se alimentar de sementes contaminadas. O uso indiscriminado de defensivos agrícolas nas regiões onde o grou

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O grou-japonês é uma das maiores espécies de aves do mundo, capaz de atingir mais de 1,5 metro de altura e ter envergadura de até 2,5 metros. Essa imponência física combina com a força simbólica que o animal carrega em tantas tradições culturais ao longo da história.

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Outra característica marcante do grou-japonês é a mancha vermelha que fica no topo da cabeça. Muitas pessoas acreditam que essa área é coberta por penas vermelhas, mas, na verdade, é uma região de pele exposta e altamente vascularizada. Essa marca distintiva contribui para que a espécie seja facilmente reconhecida entre os demais grous.

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A espécie também se destaca por sua capacidade de adaptação ao clima rigoroso de algumas regiões da Ásia. Durante o inverno, muitos deles enfrentam temperaturas extremamente baixas e paisagens cobertas de neve. Nessas condições, suas penas densas ajudam a conservar o calor corporal.

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O “canto” do grou-japonês é outro traço marcante da espécie. O animal emite chamados potentes e ressonantes, capazes de alcançar longas distâncias. Os casais costumam vocalizar em dueto, com sincronia afinada, o que reforça o vínculo entre os parceiros e serve também para demarcar território e alertar outros indivíduos sobre a presença de predadores.

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Ele é uma ave monogâmica e mantém o mesmo parceiro por toda a vida. No ritual de acasalamento, o casal executa uma espécie de 'dança nupcial', com saltos e giros no ar de asas abertas. O macho ainda pode oferecer à fêmea pequenos presentes, como gravetos e pedaços de plantas, como sinal de afeto e compromisso.

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Por conta da ameaça de extinção, é necessário um cuidado especial durante o período de reprodução da ave. Áreas de alimentação e reprodução dos grous estão sob proteção e passam por processos de restauração ambiental, com o objetivo de ampliar as chances de sucesso reprodutivo da espécie.

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Diante desse cenário, existem projetos de conservação e reintrodução do grou-japonês em vários lugares. Um exemplo é a Reserva Natural Nacional de Zhalong, em Qiqihar, na província de Heilongjiang, na China. Conhecido como o 'lar do grou-japonês', o local é considerado o maior habitat e berçário da espécie no mundo.

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Ao nascer, os filhotes apresentam plumagem marrom clara, que muda para branca com penas pretas no pescoço e na cauda ao chegar à fase adulta. O grou-japonês vive, em média, 30 anos na natureza e até 50 em cativeiro, e se alimenta de peixes, pequenos anfíbios, roedores e plantas.

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A preservação do grou-japonês é fundamental não apenas para a biodiversidade do planeta, mas também para a manutenção das tradições culturais de diversos povos. Por meio da colaboração entre governos, ONGs, comunidades locais e indivíduos, é possível garantir que essa ave majestosa continue a encantar muitas gerações.

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