Ele é um dos responsáveis pelo relatório de 2024 sobre crise climática e saúde da prestigiada revista científica The Lancet.
Segundo ele, a Terra pode passar por uma situação parecida com a que aconteceu há milhões de anos, no chamado Período Permiano, quando cerca de 90% das espécies desapareceram por causa das condições extremas.
Montgomery diz que essa extinção 'é a mais rápida da história do planeta' e ela já está acontecendo. 'Nós que estamos causando isso”, pontuou.
Se a temperatura global subir 3 °C acima dos níveis pré-industriais, a situação pode ficar catastrófica.
Em 2024, o planeta já registrou um aumento de 1,5 °C. Em 2025, a temperatura média global ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, segundo a Organização Meteorológica Mundial.
Mantidas as políticas atuais, o aquecimento pode chegar a 2,8 °C até 2100, conforme o relatório de 2025 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. “Se continuarmos golpeando a base dessa coluna, a própria espécie humana estará ameaçada', disse o pesquisador.
'A concentração atmosférica de CO2 não só está aumentando, como está aumentando de forma cada vez mais acentuada”, alertou Montgomery. Mas os impactos graves podem aparecer ainda mais rápido do que o esperado.
Segundo o especialista, se o aquecimento atingir entre 1,7 °C e 2,3 °C (mesmo que por pouco tempo), o gelo do Ártico pode derreter rapidamente, afetando as correntes oceânicas que regulam o clima.
Esse processo levaria a um aumento do nível do mar em vários metros nos próximos 20 ou 30 anos, com efeitos devastadores.
O pesquisador também destacou outros fatores do aquecimento global, como o metano – cerca de 83 vezes mais prejudicial que o dióxido de carbono, liberado principalmente na extração de gás natural.
Ele afirmou que agir agora para reduzir a poluição é crucial até para a economia mundial, que pode perder 38 trilhões de dólares por ano a partir de 2049 devido à crise climática.
Por fim, Montgomery ressaltou a importância de pensar em formas de se adaptar, uma vez que a saúde das pessoas já está sendo afetada.
No entanto, ele reforça que isso não pode ser feito sem reduzir drasticamente as emissões de poluentes: '[...] Não faz sentido focar apenas no alívio dos sintomas quando deveríamos estar buscando a cura”.