Conhecida como água-viva imortal, esse ser minúsculo e translúcido consegue escapar de situações adversas ao transformar seu corpo adulto em uma estrutura celular que dá origem a pólipos, estágio inicial de seu ciclo de vida. Esses pólipos formam colônias que podem produzir novas águas-vivas adultas, capazes de repetir o processo de rejuvenescimento.
A habilidade foi identificada em 1992, quando um pesquisador italiano encontrou pólipos em um recipiente onde esperava encontrar animais mortos após um período sem alimento. Estudos posteriores revelaram que a transformação envolve a transdiferenciação, processo no qual células adultas mudam de especialização e assumem outras funções.
Desde então, pesquisadores investigam os mecanismos genéticos responsáveis por essa capacidade, com o objetivo de compreender melhor o envelhecimento e a regeneração celular. Uma das principais expectativas é descobrir se parte desses processos poderá contribuir para avanços na medicina humana.
Estudos identificaram na espécie cópias adicionais de genes relacionados ao reparo do DNA e à manutenção dos telômeros, estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos. Como essas estruturas tendem a diminuir com a idade, sua preservação pode ajudar a explicar a capacidade de rejuvenescimento do animal.
Pesquisas também apontaram maior atividade de determinados genes durante as etapas de transformação, embora suas funções ainda não sejam totalmente conhecidas. Alguns desses mecanismos apresentam semelhanças com processos associados à longevidade humana, o que amplia o interesse científico pela espécie.
No futuro, esse conhecimento poderá contribuir para pesquisas sobre a recuperação de tecidos danificados e o tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento. Entre as possibilidades estão novas abordagens para lesões causadas por AVCs, infartos e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Os cientistas, entretanto, ressaltam que ainda existe um longo caminho até qualquer aplicação segura em seres humanos. O objetivo não é reverter pessoas à infância, mas restaurar células e tecidos que perderam suas funções. Além disso, a água-viva não é totalmente invulnerável: predadores, escassez de alimento e condições ambientais desfavoráveis podem provocar sua morte.