Segundo delegada, atirador comprou arma exclusivamente para matar Raphaella

Para a responsável pelo caso, crime foi premeditado durante um ano, tempo que o assassino levou para juntar R$ 2.300, usados para comprar a arma usada para matar estudante

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postado em 06/11/2017 14:54 / atualizado em 06/11/2017 19:19

Ed Alves/Cb/D.A Press


O assassinato de Raphaella Noviski, 16 anos, foi premeditado, de acordo com a delegada responsável pelo caso, Rafaela Azzi. Misael Pereira, 19, planejou o crime por um ano, período em que juntou R$ 2,3 mil para comprar o revólver calibre .32. O homem deu pelo menos 11 tiros no rosto da jovem dentro de uma das salas de aula da Escola Estadual 13 de Maio, em Alexânia (GO). Segundo a delegada, o atirador planejou os detalhes antes de cometer o crime. “Ele queria que ela morresse e não sentisse dor”, diz a delegada.

Ainda segundo Azzi, Misael é ex-estudante da instituição, o que facilitou a ação, já que o autor conhecia o prédio da escola. “Ele já foi estudante lá e sabia a dinâmica das aulas e a geografia do local”, afirma a delegada. Ele pulou o muro dos fundos e invadiu a sala de Raphaella por volta das 9h, enquanto a menina assistia a primeira aula do dia.

Misael afirmou em depoimento que "sentia ódio" da vítima e que, por isso, resolveu comprar uma arma e matá-la. “Ele teria feito contato via Facebook, tentado amizade, ele teria se apaixonado. Ele fez várias tentativas, mas ela foi se distanciando dele. A cada distanciamento, ele tomava raiva dela”, detalha a policial. Segundo uma prima da vítima, a garota era constantemente perseguida por Misael e foi ameaçada por ele, pelo telefone, horas antes do crime.

"Ele já a ameaçava desde o ano passado. Quando foi hoje cedo, ela recebeu uma ligação e ouviu: 'Está preparada?'. Aí, logo em seguida, ele desligou”, relatou a prima, também estudante do 9º ano, que pediu para não ter o nome revelado.



Em depoimento, o rapaz afirmou ainda que pensou em se matar após alvejar Raphaella. Além da arma, ele também estava com uma faca, tipo peixeira, e veneno de rato. Ele não tem passagens pela polícia e vai ser autuado por homicídio qualificado, com pena de até 30 anos. É possível que a autuação mude para feminicídio.

Psicólogas dão apoio


Segundo a Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esportes (Seduce), três psicólogas e uma assistente social da Coordenação Regional de Educação, Cultura e Esporte (Crece) foram deslocadas de Anápolis para Alexânia a fim de apoiar a equipe da escola, alunos e familiares.

A Seduce ressaltou, ainda, que “a escola dispõe de câmeras no pátio e dois vigias noturnos para promover a segurança”. Por fim, a secretaria lamentou o crime “e informa que trabalha em um esforço contínuo para manter a paz e a fraternidade no ambiente escolar”.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), usou as redes sociais para lamentar o caso. "Nossa solidariedade à família e amigos de Raphaella e nosso total repúdio a essa cultura do ódio, que tantas vítimas inocentes vem fazendo", disse o governador em sua conta no Twitter.



Tragédias nas escolas


A morte de Raphaella ocorre menos de um mês depois de uma outra tragédia no estado de Goiás. No dia 20 de outubro, um garoto de 14 anos, estudante de um colégio particular de Goiânia, levou para a escola a arma de sua mãe, uma sargento da Polícia Militar, e atirou contra os colegas de classe. Dois adolescentes morreram e cinco foram feridos pelos disparos. O jovem que atirou disse que sofria bullying.

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Antonio
Antonio - 06 de Novembro às 17:21
Até quando no Brasil ficará a lamentar essas mortes,, por falta de uma legislação criminal mais rígida, pena de morte mesmo para esses canalhas, somente uma vida substitui outra vida.