Bombeiro do DF é preso por participação em esquema de grilagem

A PCDF cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária, durante a Operação Déjà-vu

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postado em 12/01/2018 09:50 / atualizado em 12/01/2018 14:53

Divulgação/PCDF
A Polícia Civil do Distrito Federal desmontou, na madrugada desta sexta-feira (12/1), uma quadrilha que grilava terras na chácara 12 da Colônia Agrícola Águas Claras. A operação denominada Déjà-Vu investiga o bombeiro da reserva Carlos Eduardo de Andrade Muniz, conhecido como Kadim. Ele é acusado de comandar o esquema, que vendia, inclusive, casas de alto padrão em área de parcelamento irregular. Além de Kadim, dois filhos outros dois suspeitos também foram presos acusados de fazer parte do grupo.
 
 
Ao todo, a organização arrecadou cerca de R$ 5,25 milhões com as vendas irregulares de lotes. O valor pode ser ainda maior, afirma a delegada-chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Pública (Dema), Marilisa Gomes. "Muitas vezes, os compradores dos terrenos parcelados trocam casas entre eles. Isso dificulta as investigações", relata. Para isso, além de cheques, policiais civis apreenderam laptops e telefones celulares dos detidos e de outras pessoas sob investigação.
 
A área grilada estava sob investigação desde 2014. Os investigadores da Polícia Civil descobriram que Kadim e o grupo dividiram o terreno, cuja área equivalia a 2,3 hectares, em 21 parcelas. 15 desses lotes eram destinados a uso residencial, e o restante, a comércios. A quadrilha vendia cada pedaço de terra por R$ 250 mil.
 

Bombeiro foi preso em outras investigações

 
Não é primeira vez que Kadim, 3º sargento do Corpo de Bombeiros, vai preso por uso irregular de terras públicas. Em 2011, a Polícia Civil deteve o militar por fazer parte de esquema de grilagem envolvendo fiscais da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). 
 
Cinco anos mais tarde, ele foi detido na Operação Sentinela, também por parcelamento do solo. Ambas as prisões eram temporárias, ou seja, com duração máxima de até cinco dias.
 
A delegada-chefe da Dema, Marilisa Gomes, não detalhou o estilo de vida que Kadim e os filhos levavam com o dinheiro proveniente do parcelamento irregular do solo. Porém, ela revelou que a família vivia em uma mansão na altura do Jockey Clube de Brasília, no valor de R$ 1,1 milhão. Segundo Marilisa, a propriedade também está em situação irregular.
 

Filho de chefe da quadrilha seria dono de prédio que desabou em Vicente Pires

 
Os investigadores também investigam se um dos filhos de Kadim tinha o nome inscrito como proprietário do edifício em construção que desabou em Vicente Pires, em outubro. A Polícia Civil não confirmou qual dos irmãos está sob suspeita nesse caso.
 
O mestre de obras do empreendimento morreu no desastre. Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), a vítima também atuava sem registro profissional.
 
Por isso, as investigações da Operação Déjà-Vu devem indicar outros arquitetos e engenheiros, registrados ou não, envolvidos nos parcelamentos irregulares comandados pela quadrilha de Kadim. Segundo a delegada Marilisa, profissionais envolvidos com obras nesses locais e até mesmo os compradores podem ser responsabilizados criminalmente por participação na grilagem de terras.

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