Rappers brasileiros e portugueses se unem no projeto Língua franca

Emicida, Rael, Valete e Capicua se reúnem para valorizar o rap e a língua portuguesa em projeto

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postado em 10/06/2017 07:30 / atualizado em 09/06/2017 18:22

Vera Marmelo/Divulgação

O rap surgiu como porta-voz da periferia. É assim em qualquer lugar do mundo. O que muda, principalmente, são as perspectivas, que se transformam conforme o local. “Acho que não há muita diferença (entre o rap de outros países). O que é diferente é porque os países têm problemas distintos. O próprio Brasil, por ser um país grande e diverso, já fica influenciado de forma diferente em cada estado”, analisa a rapper portuguesa Capicua.


O brasileiro Rael concorda: “Acho que os temas são um pouco parecidos. Mas há problemas diferentes, como a questão humanitária em alguns países da Europa, que sentem o reflexo dos países do lado”. O rapper ainda vai além e afirma que enxerga variações na sonoridade. “Embora seja a mesma língua, há mutações fonéticas. A língua portuguesa falada e cantada no Brasil é mais elástica. Se no Brasil a gente já tem diferença nas gírias das quebradas, imagina de um continente para o outro?”, questiona.

Essas pequenas diferenças do rap uniram forças no projeto Língua franca, álbum que reúne os brasileiros Emicida e Rael e os portugueses Valete e Capicua. “Essa é a grande magia (do projeto). Reproduzir diferentes perspectivas, sonoridades e gírias”, afirma Capicua.

O CD surgiu de uma ideia de Fióti e Emicida, do Laboratório Fantasma, que mantém contato com a cena do rap de Portugal. O objetivo foi reunir artistas de dois países que têm uma ligação histórica e também linguística. “Nesse projeto conseguimos unir e reencontrar culturas distantes, mas, ao mesmo tempo, próximas historicamente. Além disso, a Língua franca abre uma margem para um outro projeto com países que também falam português, como Angola e Cabo Verde”, comenta Rael.

Língua franca tem 10 faixas inéditas, todas criadas em uma parceria dos quatro rappers com os produtores do disco Kassin, Fred Ferreira (integrante da Banda do Mar) e Nave. Boa parte do processo de criação e gravação do álbum durou 10 dias em Lisboa. “Antes de nós, os quatro rappers, nos juntarmos, os três produtores gravaram os instrumentais no Rio de Janeiro. Depois, nos juntamos em Lisboa para escolher as instrumentais que vamos usar, definir os temas e gravar grande parte das letras”, lembra Capicua.

A divulgação oficial do CD, que já está disponível nas plataformas digitais, começa em 14 de julho, quando os rappers se juntam para show no festival Super Bock Super Rock, em Lisboa. Há também uma expectativa de uma turnê no Brasil. “Foi um processo muito prazeroso, fazia tempo que eu não trabalhava em coletivo. A turnê começa em Lisboa e acho que terão datas aqui no Brasil também. Queremos rodar”, garante Rael.

Sony/Divulgação
Língua franca
De Emicida, Rael, Capicua e Valete. Sony Music/Laboratório Fantasma, 10 faixas. Disponível nas plataformas digitais. Ouça aqui.

 

Rappers do projeto Língua franca


Emicida

O artista é atualmente referência do estilo musical brasileiro. Em 2015, ele lançou o aclamado disco Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa, em que fez um resgate da cultura africana. Possui o Laboratório Fantasma em parceria com Fióti e a marca Lab, em que valoriza a cultura negra.

Valete
O artista participa da cena rapper portuguesa há 20 anos. É um dos cantores referência no ritmo. Possui dois álbuns, Educação visual (2002) e Serviço público (2006). Em 2009 anunciou um novo material, que acabou sendo adiado para 2017.

Rael

O paulista faz parte da geração de destaque do rap atual brasileiro. Começou dentro de um grupo de rap e, em 2012, passou a se dedicar à carreira solo. É visto como um dos artistas do cenário que consegue fazer uma fusão com outros estilos musicais. O mais recente trabalho é o elogiado Coisas do meu imaginário, de 2016.

Capicua
Única mulher do projeto, Capicua também é portuguesa e está no mercado há mais de 20 anos. Formada em sociologia, utiliza seu conhecimento para expor os temas portuguesas em forma de rima. O mais recente trabalho é o álbum Medusa, de 2015.

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