Efeitos especiais começam a ganhar mais espaço na televisão aberta

Produções como Deus salve o rei e Apocalipse são exemplos dessa tendência

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postado em 24/12/2017 07:30

Rafael Campos/Rede Globo

As produções televisivas estão cada vez mais próximas dos materiais produzidos no cinema. Seja na linguagem, seja no visual. Nos últimos anos, aos poucos, a televisão aberta brasileira tem inserido em seus projetos efeitos especiais e visuais ao estilo de filmes hollywoodianos.

Em 9 de janeiro de 2018, a Globo lançará um dos projetos mais ousados em relação a efeitos especiais. É a novela Deus salve o rei, uma produção que se passa em um contexto medieval e mostra o confronto entre dois reinos, Artena e Montemor. “Vimos a oportunidade e a vontade de falar (sobre essa temática). Vikings, Game of thrones e Robin Hood serviram de inspiração visual e também em um estilo de direção contemporânea”, revela Fabrício Mamberti, diretor do folhetim.

A ideia da novela foi concebida há dois anos. Mas o tempo de produção para a estreia em janeiro durou nove meses. Em março deste ano foram feitas as pesquisas de cenário e captações de imagens em oito países da Europa. Em maio, a cidade cenográfica foi criada no Projac, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.



Ao todo, são 100 profissionais dedicados aos efeitos especiais da novela, a maior equipe desse tipo em um folhetim da emissora. Entre os trabalhos da equipe estão recriar os cenários da novela, como os castelos e a vegetação, já que apenas uma parte do cenário foi criada nos três galpões nos estúdios do canal. “O que nós buscaríamos como locação, conseguimos usar por meio desse banco de imagens. Entendemos que a cidade cenográfica precisaria de um teto translúcido e um controle de luz. Também fizemos um galpão que é uma parte livre rodeada de cromaqui onde serão gravadas as cenas de batalhas e nas florestas”, revela Mamberti.

De acordo com Marcelo Nicacio, supervisor de efeitos visuais de Deus salve o rei, esse é o maior projeto de computação gráfica da história do canal. “Temos um volume de sete ou oito vezes maior do que qualquer outro projeto que a TV Globo já teve”, comenta.

Técnicas diferentes de efeitos especiais


No ano passado, a emissora chegou a fazer um projeto semelhante na série Supermax. A produção misturava terror e suspense, mostrando o drama de um grupo de pessoas que participava de um reality show dentro de uma prisão de segurança máxima e acabava assombrado por criaturas misteriosas.

No caso da série Supermax, a equipe de efeitos visuais tinha como principal trabalho dar vida às criaturas da produção, que foram feitas de computação gráfica, além das cobras e todas as cenas que envolvessem sangue, ambas feitas com auxílio do 3D.

“Usamos técnicas diferentes para fazer as criaturas em que tinham a fala acontecendo. Em situações anteriores, nós tivemos personagens virtuais, mas que os movimentos não dominavam uma cena inteira, como foi o caso desse produto”, explica Pablo Bioni, responsável pela parte de pesquisa e desenvolvimento dos efeitos especiais de Supermax. Para representar as criaturas foi preciso fazer uma captação de movimentos, que proporcionasse aos personagens expressões de rostos e movimentos nas horas de fala. Técnica utilizada em filmes como Planeta dos macacos, O senhor dos anéis e Star wars.



Tendência televisiva


Record/Divulgação


Apostar em efeitos especiais cinematográficos não é uma exclusividade da Globo. Desde 2015, a Record também utiliza as técnicas em algumas de suas novelas. A estreia desse tipo de recurso ocorreu em 2015, com a produção Os dez mandamentos, que até ganhou uma versão nos cinemas após o sucesso na tevê.

Na época, a emissora buscou uma produtora norte-americana: a Stargate, que tem no currículo projetos de efeitos visuais em produções como Spartacus e The walking dead. A produtora criou para a Record cenas emblemáticas, como a abertura do Mar Vermelho e a infestação de rãs e gafanhotos no Egito.

Neste ano, a Record voltou a apostar nessa tendência na novela Apocalipse. A trama retrata o último livro da Bíblia e tem a intenção de mostrar em três partes os desastres na Terra. Diferentemente do que aconteceu em Os dez mandamentos, a emissora buscou profissionais brasileiros para os efeitos especiais: uma equipe com 400 pessoas em São Paulo que trabalham unindo técnica e a arte para buscar a verossimilhança nas cenas. “O desafio era mostrar efeitos visuais de coisas que não aconteceram, não de coisas que, supostamente, já aconteceram”, explica Solange Cruz, diretora de efeitos visuais de Apocalipse.

Logo no primeiro capítulo, a novela mostrou uma cena que utilizou diferentes tipos de efeitos durante um tsunami que devastou uma praia e deu início à história. Esse foi o primeiro desastre mostrado no folhetim, em uma cena que contou com ajuda de engenheiros, dublês e diversas filmagens, sendo uma delas em Angra dos Reis e outra na sede da emissora, no Rio de Janeiro. Essa última contou com painéis de cromaqui, três rampas que disparavam 27 mil litros de água, uma piscina de 100 metros de comprimento com entulhos, galhos de árvores e carros —  tudo isso em seis dias de gravação para apenas 30 segundos de cena.


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