Ninguém para a Lava-Jato

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postado em 12/06/2016 17:02


“The point of no return” é uma expressão usada na aviação para resumir aquele momento de um voo em que o retorno já não é mais possível. Em linhas gerais e resumidamente, é o chamado caminho sem volta. A Operação Lava-Jato chegou a esse patamar. Independentemente das vontades e das politicagens, seguirá seu curso. É inevitável. Depois de dois anos e dois meses, colhe o apoio da população, a cada semana surpreendida com revelações de tirar o fôlego. Ninguém que seja realmente sério neste país pode ter a ousadia de negar a importância da Lava-Jato. Foi um bálsamo para o Brasil, tão carcomido pela corrupção, apesar de ter posto à prova a nossa capacidade de digerir tanta sujeira. Haja estômago!

O rastro de corrupção é longo e sinuoso. Já existe há tanto tempo que nem é possível prever. Certamente não terá um fim, mas precisamos criar obstáculos para que não assuma tamanha proporção. É preciso ter resposta e punição para cada malfeito. Não se acaba com a ladroagem. Deixá-la correr com frouxidão, no entanto, não dá mais. As investigações da Lava-Jato atingiram caciques políticos dos principais partidos da República, o PT e o PMDB, entre outros. Talvez as legendas consigam sair disso e retomar o caminho para fazer uma política mais cidadã e mais honesta. Ou não. O importante é não perder de vista as conquistas da operação. Não se pode desprezar o valor das denúncias para o crescimento da nossa democracia.

O discurso do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na última sexta-feira, trouxe um trecho que merece republicação: “Nunca terei transgressores preferidos, como bem demonstra o leque sortido de autoridades investigadas e processadas por minha iniciativa perante a Suprema Corte. Da esquerda à direita; do anônimo às mais poderosas autoridades; ninguém, ninguém mesmo, estará acima da lei”. É o que se espera.

O Brasil já não comporta o desfrute de ter ladrão que colhe benesses por esta ou aquela cor partidária. Seria ridículo, nessa altura do campeonato, com uma presidente legitimamente eleita afastada, que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal cedessem privilégios a figuras políticas em razão de inclinações ideológicas. Isso não pode nem vai acontecer. Todos, sem exceção, serão punidos. Viveremos para ver.
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