
Manuela Sá*
Brasília nasceu como uma utopia planejada que, com o tempo, foi sendo alterada para se adaptar às mudanças sociais. Revisitar as ideias originais e ver o que era para ser e o que se tornou pode ser um caminho para construir o futuro. É o que defende o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (IHG-DF), José Theodoro Menck. À frente do instituto responsável pela preservação da memória e da identidade cultural da capital federal, Menck diz que, no local, o público pode conhecer relíquias que contam a história da cidade, além de ter contato com materiais relacionados à geografia, genealogia e antropologia.
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Dentre os objetos sob os cuidados do instituto, Menck destaca os pertences do engenheiro Joffre Parada, responsável pela desapropriação das fazendas do Distrito Federal para a construção de Brasília. Foi ele também quem demarcou o Marco Zero e fez o primeiro mapa do DF. No instituto, estão instrumentos de trabalho, documentos, mapas e fotografias do pioneiro.
Outras relíquias do acervo são o Jipe usado por Juscelino Kubitschek durante a construção de Brasília, duas máquinas de projeção do primeiro cinema da cidade e medalhas comemorativas. Menck avalia que parte da importância do instituto e do valor de conhecer seu patrimônio está no fato de que a população pode procurar nos arquivos as ideias originais de quem concebeu a cidade e ver o que ainda vale a pena ser implementado e o que deu errado.
Por ser uma cidade planejada, que parte dos ideais de futuro de diferentes pessoas, Menck considera que Brasília é uma utopia. Ele conta que a ideia era que a capital fosse um grande jardim. No projeto original, os prédios seriam rodeados por árvores e todos conseguiriam circular pelos amplos espaços. Os pilotis permitiriam que a população andasse por baixo dos prédios e tivesse a visão completa do jardim.
Hoje, pedestres podem andar livremente por baixo dos prédios nas entrequadras. No entanto, vários dos vãos entre os pilotis foram tomados por novas construções, como salões de festa, garagens e academias. Menck reflete que essas alterações se dão como resultado de mudanças de valores. Antigamente, por exemplo, o mais comum era fazer encontros em casa. Hoje, muitos moradores optam pelo salão de festa do prédio na hora de reunir amigos e familiares. Esses espaços tapam parte da visão do jardim, tratando-se de uma mudança no plano inicial. "Utopias vão ser alteradas para as necessidades do presente", diz Menck.
Menck destaca que conservar o passado é uma forma de pensar o agora e escolher a melhor opção para a atualidade. Ele ainda fala que são ideias e sonhos atuais os responsáveis pelos próximos passos. "O futuro é construído a partir da utopia do presente", afirma.
*Estagiária sob a supervisão de Márcia Machado
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