BRASÍLIA 66 ANOS

No coração do Plano, memória se converte em futuro

Localizado no coração do Plano Piloto, o SESI Lab produz conhecimento, inovação e experiências, contribuindo para a construção de um novo futuro para a capital federal

Há dez anos, quem transitava nas vias próximas à Rodoviária do Plano Piloto se deparava com o edifício vizinho entregue à própria sorte. O antigo Touring Club estava maltratado pelo tempo e à mercê da criminalidade. Em novembro de 2022, porém, veio a guinada. A obra projetada por Oscar Niemeyer ressurgiu do cinza para colorir o cruzamento dos Eixos de Brasília. Ali nasceu o Sesi Lab, um corredor cultural, tecnológico, científico e artístico pronto para transmitir conhecimento e, por que não, ajudar a construir um novo futuro para a capital. 

"O antigo Touring passou a abrigar um ambiente de produção de conhecimento, inovação e experiências, no qual cultura, educação e tecnologia se articulam como vetores de desenvolvimento, em diálogo direto com os desafios da indústria, especialmente nas agendas de inovação, criatividade e formação de novas competências", destaca Cláudia Ramalho, superintendente de Cultura do Sesi e uma das lideranças por trás do museu. "Mais do que reocupar um edifício, estruturamos um ecossistema vivo, capaz de gerar valor simbólico, social e econômico", acrescenta.

No coração do Plano Piloto, a presença constante de programação, parcerias, formação e experimentação cria oportunidades para profissionais criativos, educadores, artistas e empreendedores. "Há algo profundamente potente e emocionante em ver um patrimônio da cidade se transformar em um espaço onde ideias circulam, conexões acontecem e a economia criativa se materializa no cotidiano. É a cidade produzindo futuro a partir da sua própria identidade", completa Cláudia.

Ponto de virada

A localização do Sesi Lab, por onde todos os dias circulam pessoas de diferentes realidades, é estratégica. "Ao mesmo tempo em que permite dialogar com a diversidade da cidade, impõe o desafio de romper as barreiras simbólicas que ainda afastam parte da população, especialmente do Entorno, dos equipamentos culturais", observa a superintendente. Por isso, o Sesi Lab não se limita ao seu espaço físico, e promove ações itinerantes, parcerias com escolas e criação de uma programação dinâmica, pensada para variados públicos, repertórios e formas de acesso.

"Nossa missão é democratizar o conhecimento e aproximar as pessoas da ciência, arte e tecnologia. Afinal, Brasília é mais do que um território: é uma ideia em permanente construção, marcada também por contrastes e distâncias, muitas vezes invisíveis", avalia Cláudia. O ponto de virada para o sucesso aconteceu quando o local deixou de ser percebido apenas como um museu e passou a ser vivido como um espaço da cidade, integrado ao seu fluxo, à sua diversidade e ao seu cotidiano. Ali, passaram a ser construídas experiências plurais. Pertencimento. 

Por mês, cerca de 17 mil visitantes passam pelo museu e, desde seu funcionamento, o espaço já recebeu 691.282 pessoas. Cláudia Ramalho, especialista em gestão cultural, lembra que a programação qualificada, acessível e diversa do espaço ajuda a transformar a percepção sobre o Setor Cultural Sul e a Rodoviária. "O Sesi Lab é um espaço vivo, que reflete a potência da capital e a pluralidade da sua população, consolidando-se como um ícone do novo 'viver Brasília': um lugar onde cultura, convivência e cidade se encontram de forma orgânica e transformadora", resume. 

Ousadia e inovação

A expectativa é que, no futuro, o Sesi Lab seja reconhecido como um hub consolidado de inovação cultural e educacional no Brasil, conectando cultura, educação e indústria em uma agenda integrada de desenvolvimento, conforme pontua sua superintendente de Cultura. O objetivo é transformar o espaço em uma plataforma de experiências, irradiando conhecimento para escolas, cidades e outros equipamentos culturais. 

Para a nova geração de jovens criativos e curiosos da capital, o conselho de Cláudia é experimentar. "O mundo precisa de pessoas capazes de conectar áreas diferentes e transformar ideias em soluções reais. Brasília tem uma vocação única para isso, pois é uma cidade que nasceu de um sonho coletivo. Aproveitem esse legado e construam novas possibilidades a partir dele", orienta.

E, diante de uma arquitetura que traduz a ideia de futuro, ousadia e liberdade criativa, é no território do antigo edifício Touring que oficinas, mostras e eventos estimulam a imaginação e propõem novas formas de ver o mundo. "Assim como Niemeyer, acreditamos que o futuro se constrói com coragem para inovar. No Sesi Lab, mantemos viva a ideia de uma cidade que olha para frente, que experimenta e que se reinventa", afirma Cláudia.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press -

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O mundo precisa de pessoas capazes de conectar áreas diferentes e transformar ideias em soluções reais. Brasília tem uma vocação única para isso, pois é uma cidade que nasceu de um sonho coletivo. Aproveitem esse legado e construam novas possibilidades a partir dele"

Cláudia Ramalho, superintendente de Cultura do Sesi