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Correio Braziliense

Estado avançado de decomposição de corpos dificulta buscas em Brumadinho

Com 199 pessoas ainda desaparecidas em Brumadinho, bombeiros alertam que muitas podem jamais serem localizadas


postado em 05/02/2019 06:00 / atualizado em 05/02/2019 09:28

(foto: Gladyston Rodrigues/Estado de Minas)
(foto: Gladyston Rodrigues/Estado de Minas)
Onze dias depois do rompimento da Barragem da Vale na Mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), o Corpo de Bombeiros admitiu oficialmente, pela primeira vez, que nem todos os desaparecidos devem ser encontrados em meio ao mar de lama, de onde já foram resgatados corpos de 134 pessoas. Ainda há 199 vítimas desaparecidas.

Segundo os bombeiros, a quantidade de rejeitos e o estágio de decomposição dos corpos, de agora em diante, vão dificultar a recuperação de restos mortais. A possibilidade de a operação ser encerrada sem o resgate de todos os corpos aumenta a angústia de quem espera pelo menos ter o direito de sepultar familiares e amigos.

“Do ponto de vista técnico, chega um ponto em que essa recuperação não é possível (do total de corpos). É justamente por isso que montamos uma operação desse tamanho, para que a gente consiga recuperar o maior número possível. Mas, pela questão biológica, é possível que alguns corpos não sejam recuperados”, disse o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

Ele explicou que os militares trabalham sempre com a possibilidade de achar alguém com vida, mas em virtude dos protocolos da corporação e da literatura associada a esse tipo de desastre, passadas 120 horas após o evento, e também diante da característica da lama, a probabilidade de encontrar sobreviventes é matematicamente próxima de zero.

“Os bombeiros são verdadeiros heróis, mas vão ficar muitas pessoas enterradas nessa lama. Isso traz uma dor ainda maior para os familiares”, disse Alcir Carlos dos Santos, de 40 anos, que tem dois primos desaparecidos. “Poder enterrar o familiar é a mesma coisa que retirar mil quilos das costas. Pelo menos a pessoa teve um enterro digno e descansou”, acrescentou ele, que também teve a experiência de enterrar uma ex-mulher, resgatada do mar de rejeitos. “O problema é você ficar a vida inteira lembrando da pessoa dentro do barro.”

Nessa segunda-feira (4/2), a chuva que caiu pela manhã em Brumadinho dificultou o trabalho dos bombeiros na chamada zona quente, onde se concentram as buscas. No local onde ficava um vestiário na área administrativa da Vale, foram retirados três corpos.

Rio morto

“Um rio completamente morto”. Essa é a constatação sobre a condição do Rio Paraopeba por integrantes de uma expedição da Fundação SOS Mata Atlântica, que percorre o manancial, após a tragédia. A contaminação do rio por metais pesados também foi confirmada por análises feitas pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). “A água (do Paraopeba) tem variado entre péssimo — ou seja, o rio completamente morto — e ruim, também completamente morto do trecho próximo de onde ocorreu o desastre até Pará de Minas, onde foi feita uma barreira de contenção, tentando conter os rejeitos, mas que ainda não deu resultado”, afirmou a especialista em recursos hídricos da entidade, Malu Ribeiro.

 

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