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Correio Braziliense

Motorista que atropelou e matou casal no Lago Norte vai a júri popular

Até então, o processo estava sob responsabilidade da 5ª Vara Criminal de Brasília. Luciana Pupe Vieira tem reagido ao tratamento médico. Advogado avalia decisão como "equivocada"


postado em 31/01/2018 17:00 / atualizado em 31/01/2018 19:06

De acordo com laudo da perícia, o carro estava a 140km/h(foto: Luís Nova/Esp. CB/D.A Press)
De acordo com laudo da perícia, o carro estava a 140km/h (foto: Luís Nova/Esp. CB/D.A Press)
 
Luciana Pupe Vieira, 46 anos, que atropelou e mataou o casal Evaldo Augusto da Silva e Dulcineia Rosalino da Silva, de 75 e 72 anos, respectivamente, será julgada por homicídio doloso, quando a pessoa assume o risco de matar. O julgamento será com a participação de júri popular. O processo, que estava com a 5ª Vara Criminal de Brasília, foi encaminhado, na segunda-feira (29/1), para o Tribunal do Júri.


O advogado de Luciana, Pedro Coelho, considera a decisão da juíza responsável pelo caso, de transferir o processo para o Tribunal do Júri, equivocada. Ele acredita que essa mudança pode prejudicar a defesa por "influenciar o senso comum". "A juíza declinou da competência alegando que seria homicídio doloso e remeteu ao júri – pois o júri só analisa homicídios tentados ou consumados não culposos –, mas o único fundamento apresentado por ela foi o flagrante", comentou.
 
Para Coelho, a decisão de levar o caso ao júri deveria aguardar o término da perícia. "Só após a conclusão do trabalho da polícia é que saberemos se a Luciana teve de fato um mal súbito, se a velocidade em que o veículo estava, no momento do acidente, foi em função desse mal súbito. Esses elementos é que vão estabelecer se a conduta dela foi culposa ou dolosa. Até porque se ela tiver realmente passado mal entrará num estado de imputabilidade (possibilidade de atribuir autoria ou responsabilidade de um ato criminoso a alguém). Se a polícia pediu prorrogação das investigações é porque, obviamente, os trabalhos ainda não foram concluídos", analisa.
 
Ainda segundo Coelho, agora o juiz do Tribunal do Júri pode suscitar um conflito negativo de competência (entender que não é de sua competência analisar o caso) ou deixar o inquérito tramitar e, no fim, com a conclusão das investigações, definir se o caso continua ou não sob a sua jurisdição. "Acredito mais na segunda hipótese, por caráter de praticidade", afirma o advogado.
 
Sobre os próximos passos da defesa, o advogado diz que precisa aguardar os resultados da perícia, assim como a polícia e o Ministério Público. "Do ponto de vista técnico não há prejuízo, o maior risco é esta novidade fazer com fazer com que as pessoas possam pensar que se o caso foi para o júri é porque a Luciana deve ser culpada, é porque é algo mais grave", pondera Coelho.
 

Luciana apresenta melhora, mas estado ainda é grave 

 
Diabética e com fraturas nas pernas, braços e tórax, além de traumas cranianos, a mulher está em coma induzido desde o dia do acidente, em 18 de janeiro, em um hospital particular da Asa Sul. Ela ficou presa e sob escolta da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) até o dia seguinte, quando a 5ª Vara Criminal decretou em audiência de custódia que ela responderia em liberdade.

Segundo familiares, Luciana sofreu isquemia cerebral no dia 22 e, na tentativa de obter reações da paciente, os médicos retiraram os medicamentos de sedação. Na última quarta-feira (24/1), Ana Cristina Pupe, uma das irmãs da motorista, publicou no Facebook que seria dado início ao protocolo de morte encefálica – quando são feitos diversos exames para detectar se houve interrupção total das atividades do cérebro.

No entanto, o protocolo foi interrompido após a paciente apresentar sinais de melhora. No dia seguinte, ela passou por uma procedimento de descompressão no tronco encefálico. Luciana também recebeu, na segunda-feira (29/1), uma traqueostomia para auxiliar na respiração, que acontecia com a ajuda de aparelhos.

Relembre o acidente

Na altura da QI 10 do Lago Norte, um Mitsubishi ASX atropelou o os idosos, por volta das 20h de 18 de janeiro. Momentos antes, outro casal notou a aproximação e conseguiu desviar. Conforme laudo pericial, o veículo conduzido por Luciana estava a 140km/h.

Dulcineia era funcionária pública aposentada da Câmara dos Deputados. O marido dela trabalhou como auditor fiscal na Fundação Nacional do Índio (Funai), de 1976 a 1991, ano em que conseguiu a aposentadoria. Com 50 anos de casados, ambos eram mineiros e tios de Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, sequestrado em 1986 na maternidade.
 
Ver galeria . 13 Fotos Luis Nova/CB/D.A Press
(foto: Luis Nova/CB/D.A Press )
 

Luciana e o casal se conheciam. Além de morar no Lago Norte, os três frequentavam a Paróquia Nossa Senhora do Lago. De acordo com depoimento da irmã nas redes sociais, os idosos iam com frequência à residência de Ana Cristina Pupe.

Os familiares acreditam que a perda de controle do carro tenha sido ocasionada durante uma crise de hipoglicemia. Essa é uma das vertentes investigada pela 9ª DP (Lago Norte), unidade responsável pelo caso.

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