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Correio Braziliense

Caso Claudineia: moradores de Ceilândia protestam contra violência

Claudineia Oliveira morreu atropelada após tentar fugir de assalto a ônibus, na terça-feira (13/3). Um adolescente envolvido no caso foi apreendido. Revoltados, moradores organizam protesto


postado em 17/03/2018 15:50 / atualizado em 17/03/2018 16:04

Claudineia Oliveira Teixeira, 37, morreu atropelada, na terça-feira (13/3), após descer de um ônibus que era assaltado em Ceilândia(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Claudineia Oliveira Teixeira, 37, morreu atropelada, na terça-feira (13/3), após descer de um ônibus que era assaltado em Ceilândia (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

 

Moradores de Ceilândia estão organizando um protesto contra a violência na cidade. A vítima mais recente é Claudineia Oliveira Teixeira, 37 anos, atropelada no início da manhã de terça-feira (13/3), após fugir de assalto dentro de ônibus em Ceilândia. O ato sairá do terminal de ônibus do P4 (P Sul), às 08h30 deste domingo (18/3). A mobilização é para pedir por justiça e segurança na região administrativa.  

 

O grupo começará a se concentrar no terminal antes de iniciarem a caminhada até o local do crime, na QNP 34 — Avenida P3 (P Sul), a partir das 9h. Juliana Araújo Dias, moradora do Pôr do Sol, é uma das organizadoras e espera, pelo menos, 200 pessoas no evento. 

 

"Quando soube o que aconteceu, fiquei muito abalada. Logo me coloquei no lugar dessa família, porque poderia ser comigo. A minha irmã sai no mesmo horário que a Claudineia para trabalhar, então, me preocupo demais. Não quero que mais pessoas tenham os sonhos enterrados por conta da criminalidade. O objetivo é pedir por segurança e sensibilizar as autoridades", defende Juliana.

 

A passeata está prevista para acabar às 10h30. Uma viatura do 8º Batalhão de Polícia Militar vai acompanhar os manifestantes durante o trajeto. "Esperamos que todos compareçam, porque a violência está recorrente em Ceilândia. Peço a todos que venham de branco, tragam suas garrafinhas de água e passem protetor solar", recomenda Juliana Dias. 

 

O marido da vítima, Elton Teixeira, 51, ficou grato pela organização do evento. "O que me faz feliz, agora, é ver que eu tenho apoio de tantas pessoas que nunca imaginei que teria. É por meio dessas ações de apoio que tiro a força para continuar lutando", disse. "O ato é muito importante, não apenas por ser a minha mulher, porque aconteceu comigo, mas poderia ter sido com qualquer outra pessoa. Então, espero que tudo isso sirva de exemplo para que haja mudança. Estarei no protesto, com a minha família, com nossas camisetas de homenagem à Claudineia, cobrando por essa mudança", finalizou Elton.  

Atropelada após assalto a ônibus

No início da manhã de terça-feira (13/3), o marido de Claudineia, Elton Teixeira, 51, levou a mulher até o terminal do P Sul, para que ela pegasse um ônibus até o trabalho, na L2 Sul. O homem temia que a vítima pudesse ser assaltada na parada onde ela geralmente pegava o coletivo teria sido alvo de um arrastão no dia anterior, segunda-feira (12/3), segundo a prima Camila de Oliveira, 29. "Ela estava com medo de passar por um roubo, por isso, pediu ao Elton para levá-la a outro ponto. É uma situação difícil, pois a violência não acabará após a morte dela. Infelizmente, ela não foi a primeira nem será a última", pressupõe. 

 

Na parada de ônibus da Chácara das Flores, um adolescente, de 17 anos, e Alessandro Pereira da Silva, 22 anos, deram sinal e entraram no coletivo. Instantes depois, a dupla, que estava armada, anunciou o assalto. Após finalizarem a ação, mandaram abrir as portas do veículo. Os passageiros, desesperados, começaram a descer do ônibus, incluindo Claudineia, que caiu e acabou atropelada. O automóvel andou poucos metros antes de parar, por conta do dispositivo que impede que o veículo avance sem que as portas estejam fechadas.
 
A Polícia Civil ainda confirmará, após o laudo da perícia, se o ônibus ou um terceiro veículo — não envolvido no crime — atropelou a vítima. Contudo, o delegado-chefe da 23ª Delegacia de Polícia (P Sul), Victor Dan, responsável pelo caso, informou que o motorista não será indiciado, pois a morte foi acidental. A morte de Claudineia será um agravante na pena do trio envolvido, pois foi consequência do pânico causado pelo assalto — vídeo da câmera de segurança do ônibus mostra o desespero dos passageiros. Eles responderão por latrocínio (roubo seguido de morte). 
 
A 23ª DP já apreendeu o adolescente envolvido. O homem continua foragido. O terceiro homem, maior de 18 anos, que participou da ação acompanhando o roubo dentro de um carro, um Siena Vermelho, usado para a fuga, não foi identificado. 
 
Cerca de 200 pessoas compareceram ao velório de Claudineia Oliveira Teixeira, 37, na última quarta-feira (14/3)(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Cerca de 200 pessoas compareceram ao velório de Claudineia Oliveira Teixeira, 37, na última quarta-feira (14/3) (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

Família se despede

Na quarta-feira (14/2), o corpo de Claudineia Oliveira Teixeira, 37, foi velado no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga. Mais de 200 pessoas se reuniram na cerimônia para se despedir da mulher, conhecida por grande parte da comunidade do Pôr do Sol, em Ceilândia.
 
As quase cinco horas de cerimônia foram marcadas por lágrimas, abraços e hinos cristãos. Além do marido Elton Teixeira, 51, e o filho, Alysson, 19, que moravam com a vítima, dois irmãos e a mãe da vítima também se amontoavam ao lado do caixão, que ficou fechado. 

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