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Correio Braziliense

"Fiquei coberta de sangue", contou Jessyka a amiga dias antes de ser morta

Em áudio pelo celular, Jessyka Laynara da Silva Souza disse ter sido espancada pelo ex-namorado, o PM Ronan Menezes do Rego, pouco menos de duas semanas antes de ser assassinada


postado em 07/05/2018 12:04 / atualizado em 07/05/2018 18:59

Ver galeria . 3 Fotos Fotos enviadas por Jéssyka Laynara a amiga Arquivo pessoal
Fotos enviadas por Jéssyka Laynara a amiga (foto: Arquivo pessoal )

Quase duas semanas antes de ser assassinada, Jessyka Laynara da Silva Sousa, 25 anos, enviou a uma amiga, pelo WhatsApp, uma mensagem de áudio na qual contava ter sido espancada pelo ex-namorado, o policial militar Ronan Menezes do Rego, 27. Ronan foi preso em flagrante pelo assassinato da jovem, cometido na última sexta-feira (4/5), em Ceilândia.

 

"Ele me bateu muito, de espancar mesmo. Ele me deu uma coronhada que rasgou a minha cabeça. Sangrou tanto que eu coloquei uma fralda, que encharcou e começou a pingar. Tive de colocar uma toalha, para você ter noção. Eu fiquei coberta de sangue. Depois que ele viu que o corte não parava de sangrar, continuou me batendo. Foi tanto murro, tanto chute... Eu nunca apanhei tanto", disse Jessyka na gravação, repassada ao Correio por um de seus familiares.

 

No áudio, que dura nove minutos e estava acompanhado de fotos (veja galeria acima), a vítima afirmou ainda que as agressões começaram depois de Ronan ver uma troca de mensagens dela com um rapaz. Jessyka disse também que o PM afastado a ameaçou com a arma: "Ele começou a engatilhar (o revólver) dizendo que ia me matar. Cena de terror mesmo. Tudo isso por causa de uma mensagem", continuou. 

 

A jovem, por fim, pediu conselhos à amiga e disse que não pretendia denunciar o PM, além de afirmar que sua família não estava a par da situação. "Ele disse que vai ficar dez meses em tratamento psicológico. Isso não é normal. Assim, estou sem saber o que fazer. Eu não quero ir na delegacia, isso eu não vou fazer. Ninguém da minha família percebeu ainda", finalizou.

 

Essa não teria sido a única agressão sofrida pela jovem. Durante o fim do relacionamento, Jessika tentava finalizar o namoro de um modo que não afetasse a família, de acordo com uma prima da vítima. No domingo (6/5), o corpo da mulher foi velado no Cemitério Campo da Esperança, em Taguatinga. O clima era de tristeza e indignação. 

 

Relembre o caso

Jessyka foi assassinada dentro de casa por Ronan, ex-namorado da jovem, na última sexta-feira. Ele foi à residência da vítima, localizada na QNO 15, na Ceilândia, e realizou cinco disparos contra ela. Em seguida, pegou o carro e foi a uma academia, onde, atirou três vezes contra Pedro Henrique da Silva Torres, amigo de Jessyca.

 

Pedro Henrique foi encaminhado ao Hospital Regional da Ceilândia com vida, mas em estado grave. Passou por uma cirurgia e está em recuperação em unidade intensiva de internação. Segundo a irmã dele, Elaine da Silva, 23, pedagoga, ele se recupera bem e deve ser transferido para a enfermaria hoje, depois de 48 horas de pós-operatório.

 

No mesmo dia do crime, Ronan se entregou no batalhão de Ceilândia, por volta das 22h. Ele foi acompanhado de uma advogada. O militar foi preso em flagrante e conduzido à 24ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) e em seguida transferido para o 19º Batalhão da PMDF, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda. 

 

A Justiça determinou a prisão por tempo indeterminado do policial militar. Inicialmente, ele responderá por feminicídio e tentativa de homicídio qualificado. 

 

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