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Correio Braziliense

Polícia indicia PM que matou em briga de trânsito, mas não pede prisão

Em 27 de maio, o jardineiro Francisco Ferreira morreu com um tiro na cabeça disparado pelo policial reformado Rubens Pereira do Nascimento. Delegado diz que não foi comprovado que o acusado representa risco à sociedade


postado em 11/06/2018 14:15 / atualizado em 11/06/2018 14:16

Jean Ferreira, 39, morreu após passar 11 dias internado na UTI do Hospital de Base(foto: Divulgação/Fabiano Nery)
Jean Ferreira, 39, morreu após passar 11 dias internado na UTI do Hospital de Base (foto: Divulgação/Fabiano Nery)

O policial militar reformado Rubens Pereira do Nascimento, 52 anos, foi indiciado pelo homicídio do jardineiro Francisco Jean Ferreira, 39, e pela tentativa de assassinato contra a mulher da vítima, Gabriele Alves de Lima, 26. O homem é acusado de atirar, respectivamente, na cabeça e joelho das vítimas, após uma briga de trânsito, em 27 de maio, em Planaltina.

 

A 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), responsável por investigar o caso, não pediu a prisão preventiva de Rubens. O delegado Pedro Moraes, chefe da 31ª DP, explicou que não houve o pedido porque os agentes não conseguiram provar que Rubens representa um perigo à sociedade. "Geralmente, quem comete um homicídio é reincidente ou é metido com outros delitos. Neste caso, há o pedido de prisão para a manutenção da ordem pública. No caso do militar, essas circunstâncias não existem", delimita. 

 

"É claro que ele cometeu um crime bárbaro, mas em 52 anos, ele não havia cometido um crime como este. Por isso, não pedimos a prisão dele. Agora, se provarmos que a conduta dele está atrapalhando as investigações ou algo assim, pediremos a prisão", acrescenta.  

 

Disparos

Por volta das 18h de 27 de maio, Jean e Gabriele passavam por uma faixa de pedestres com os filhos, de 9 e 4 anos, quando o suspeito avançou em uma moto. O jardineiro teria reclamado e, neste momento, Rubens teria voltado na contramão e iniciado a briga. Em meio à luta corporal, o militar disparou, atingindo o casal,que foi encaminhado ao Hospital Regional de Planaltina (HRP) por populares. 
 
Dois dias após cometer o crime, o militar da reserva se apresentou na 31ª Delegacia de Polícia, onde entregou a arma usada no crime, uma pistola calibre .380, artefato particular de Rubens, que tem porte. Ele foi liberado logo em seguida
 
Jean passou 11 dias internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, contudo, não resistiu aos ferimentos e morreu, na noite de 6 de junho. O enterro dele ocorreu no sábado (9/6), no Centro Ecumênico do Cemitério de Planaltina. Gabriele também ficou internada, mas no HRP. Ela recebeu alta em 1º de junho, está com a perna enfaixada e anda com a ajuda de muletas.

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