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Correio Braziliense

Acusado de deformar pacientes é indiciado 10 vezes por lesão corporal grave

Wesley Murakami aplicava plástico líquido usado para preenchimento facial muito acima do indicado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). Ele foi solto após cumprir prisão temporária de 30 dias


postado em 22/01/2019 17:36 / atualizado em 22/01/2019 18:07

Wesley Murakami foi indiciado por 10 lesões corporais gravíssimas(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
Wesley Murakami foi indiciado por 10 lesões corporais gravíssimas (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
A Polícia Civil indiciou 10 vezes o médico Wesley Noryuki Murakami por lesão corporal gravíssima. Ele é acusado de deformar rostos de pacientes durante realização de procedimentos estéticos e foi solto após o cumprimento de prisão temporária de 30 dias, vencida em 17 de janeiro. Investigadores constataram que ele aplicava medicamentos muito acima do indicado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).

Responsável pela investigação do caso, o delegado Wisley Salomão contou que o médico não tinha vontade de deformar os pacientes, mas assumiu o risco. Até agora, são quase 30 vítimas identificadas de Murakami. 
 
“Pareceres indicam que o uso do PMMA (plástico líquido usado para preenchimento facial) deve ser em locais específicos. De 6ml até 8ml, mas ele aplicava 200ml”, contou o coordenador de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf). 

Agora, policiais produzem laudos de outras vítimas. Agentes também analisam material de informática apreendido. “Se ele praticar qualquer coação, poderá ser decretada nova prisão”, informou o delegado Wisley Salomão.

Defesa se manifesta

Advogado do médico, André Bueno enviou uma nota em que explica a condição de Murakami. Ele reforçou que o médico, preso em 21 de dezembro, teve a prisão revogada em 17 de janeiro. O texto informou, ainda, que as “reclamações de pacientes sobre tratamento de estética realizados com o profissional está sob investigação policial e administrativa, junto aos conselhos de medicina”.

Destacou que o inquérito policial e o procedimento administrativo não foram concluídos. “A apuração dos fatos está na fase inicial de investigação”, detalhou André Bueno, em nota.

A defesa ainda alegou que o médico está submetido a tratamento psiquiátrico “em decorrência de estresse proveniente de exposição pública de fatos relacionados a sua atividade profissional, ainda sob investigação”. 

As clínicas de Murakami em Brasília e Goiânia estão fechadas. O CRM também suspendeu o registro profissional dele. “A defesa aguarda a conclusão do inquérito policial e procedimento administrativo, em andamento para se manifestar sobre a defesa técnica.”

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