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Correio Braziliense

Mulher e amante acusados de matar servidor do TST vão a júri popular

Vítima foi morta em 2018, com disparos no meio da rua, próximo à ponte JK. Acusados respondem por homicídio triplamente qualificado e por motivo torpe


postado em 23/04/2019 14:24 / atualizado em 23/04/2019 14:24

(foto: Júlio Lapagesse/CB/D.A Press)
(foto: Júlio Lapagesse/CB/D.A Press)
 
O Tribunal do Júri de Brasília aceitou a acusação do Ministério Público para levar a Júri Popular os dois acusados de participar do assassinato de Valdeci Carlos Sousa, 63 anos, servidor aposentado do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O crime aconteceu em março de 2018, quando a vítima foi executada com uma arma de fogo, na DF-001. Segundo a denúncia do MP, o plano foi arquitetado pela ex-companheira e o amante dela.

Os apontados como responsáveis pela morte são Elizângela Almeida de Miranda Souza, 41, e José Willamy de Mélo Raiol, 26. Para o Ministério Público, o acusado matou o servidor com disparo de arma de fogo e ela "atraiu a vítima para a sua casa, onde Valdeci foi rendido por ambos, amarrado e obrigado a seguir com eles no próprio veículo até o local onde foi morto", divulgou o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), em nota.

Enquanto o responsável pelo disparo aguarda julgamento em prisão preventiva, a mulher cumpre medidas cautelares, mas não ficou detida. "A decisão de pronúncia baseia-se em prova de materialidade e indícios de autoria do crime. Se o magistrado considera que há indícios de autoria, ele pronuncia o acusado para que seja julgado por tribunal popular", finalizou o texto do Tribunal.  

Entenda o caso  

O servidor do TST, Valdeci Carlos foi assassinado entre às 22h de 18 de março de 2018 e madrugada do dia 19. Conforme apuração da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), a vítima e Elizângela continuavam casados no papel, mas não viviam juntos há seis meses — da data do crime. A suspeita teria premeditado o homicídio com o amante, José Willamy.
 
Elizângela fez com que o aposentado fosse até a casa onde ela morava com a filha do casal, na QNM 17, em Ceilândia. Ela enganou-o, dizendo que queria reatar o relacionamento. Ao chegar na residência, o servidor foi recebido pela mulher e o amante. Ali, ele foi imobilizado e colocado na caminhonete dele, uma Nissan Frontier. O vídeo de uma câmera de segurança revela o momento em que o veículo deixa o local.

Os acusados seguiram até a DF-001, no trecho entre o Núcleo Bandeirante e a Santa Maria. Valdeci foi torturado dentro da caminhonete e, de acordo com o delegado responsável pelo caso à época, Joás Rosa, a intenção era que a vítima desse informações para acesso a contas bancárias. O aposentado também teve objetos pessoais, como dinheiro, celular e uma arma de fogo roubados.
 
Após a violência, Valdeci foi retirado do carro e levado às margens da rodovia, onde foi executado com um tiro na cabeça. O artefato utilizado para o assassinato era, inclusive, da vítima. Depois do homicídio, o casal fugiu. O corpo da vítima foi encontrado no local, com diversas marcas de tortura. 
 
Para não levantar suspeitas, Elizângela deixou o veículo em frente a uma igreja de Taguatinga Norte. Já na manhã do dia 19 de março e seguiu para a 17ªDP a fim de fazer um boletim de ocorrência pelo "desaparecimento" de Valdeci. Quando o carro foi encontrado, a versão da mulher foi colocada em xeque e levantou suspeitas dos investigadores. Após ser pressionada, a acusada alegou ter sido coagida por José Willamy. 
 
O amante estava foragido quando o caso foi solucionado pela 17ª DP. José Willamy foi encontrado apenas em 17 de outubro, na favela de Paracuri-III, nas proximidades de Belém (PA). A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) teve auxílio de agentes de Belém. 
 
Ambos foram indiciados por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de meio cruel. 

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