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Cidades

Adolescente que matou professor dentro de escola é apreendido

Ele foi encontrado pela PCGO no Novo Gama, no Entorno do DF. A vítima foi assassinada com dois tiros. O corpo de Júlio César será velado amanhã

Está apreendido o adolescente de 17 anos acusado de assassinar o professor e coordenador Júlio César Barroso de Sousa, 41 anos, no interior do Colégio Estadual Céu Azul, em Valparaíso (GO). O crime aconteceu na tarde de terça-feira (30/4) e chocou profissionais da unidade, estudantes e familiares da vítima. O jovem estava foragido desde o homicídio e foi encontrado no início da tarde desta quarta-feira (1;/5), por agentes do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da Delegacia de Valparaíso.
De acordo com o delegado Rafael Abrão, o garoto foi detido no bairro Pedregal, na cidade goiana de Novo Gama. Ele foi encaminhado para o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) do Céu Azul, para cumprimento do mandado de busca e apreensão.
A força tarefa para capturar o menor começou logo após o crime. A mãe do autor foi ouvida pelos investigadores, que iniciaram negociação para que os familiares ajudassem na captura do jovem.

Com a colaboração e as demais diligências, as equipes à frente da investigação encontraram o aluno em cima de uma árvore, dentro da casa de um parente, no Pedregal.

Ato pela segurança

Pela manhã desta quarta-feira (1;), alunos e servidores do Colégio Estadual Céu Azul se reuniram em frente à instituição para protestar contra a morte do coordenador e pedir por mais segurança nas escolas. Segundo uma das funcionárias que participou do ato, a violência na escola já era algo que preocupava os colegas e alunos. "Ele (Júlio César) pensava em deixar a unidade no fim desse semestre exatamente pela falta de segurança", conta a mulher, que não quis se identificar.
A vítima iniciou as atividades na unidade escolar em janeiro de 2019, mas também lecionava em outras instituições de ensino. Quem conhecia o docente o descreve como uma pessoa "muito gente boa". Júlio César deixou a esposa, além de dois filhos, de 6 e 4 anos. Ele era responsável por buscar as crianças em uma creche de Valparaíso. A família morava em Santa Maria.

Júlio César será velado durante toda a manhã de quinta-feira (2/4), na Capela Divino Espírito Santo, em Santa Maria, a partir das 7h. O corpo será enterrado no Cemitério de Brazlândia.

O crime

Conforme apuração de agentes do GIH de Valparaíso, o adolescente se envolveu em uma discussão em sala de aula com uma professora, referente à questões disciplinares. Em meio a briga, o suspeito agrediu a profissional verbalmente, xingando-a. O coordenador e professor Júlio César viu a situação e interveio, explicando que teria de transferir o aluno de instituição. Neste momento, o menor infrator teria dito: "Posso até sair da escola, mas isso não fica assim."
O garoto foi embora e retornou por volta das 15h para a escola. Vestindo a blusa da instituição, ele entrou pelo portão e seguiu até a sala dos professores. Lá, houve uma breve discussão com Júlio. O adolescente sacou o revólver e apontou para a vítima, que tentou correr, mas foi em vão. O primeiro disparo o atingiu nas costas. Com o professor caído no chão, o suspeito se aproximou e deu o tiro fatal, na cabeça dele. A situação deixou todos os presentes apavorados.
Ainda na noite de terça-feira (30), familiares de Júlio foram até a escola. No local, eles disseram ao Correio que querem justiça pelo crime brutal. Em nota, a Secretaria de Educação de Goiás (Seduc) também se pronunciou sobre o caso. No texto, a pasta afirma que "tem feito todos os esforços no sentido de contribuir para a cultura da paz."