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Correio Braziliense

Feminicídio: agressões a faca deixam uma mulher morta e duas feridas no DF

Casos de feminicídio e tentativa de feminicídio ocorreram em Planaltina, Águas Claras e no Incra 6. Duas pessoas acabaram mortas


postado em 24/06/2019 20:05 / atualizado em 24/06/2019 22:09

(foto: Reprodução - 2018)
(foto: Reprodução - 2018)
Ana Paula, Gleize e Ivanilde. Três mulheres de origens e histórias diferentes, marcadas por uma triste coincidência: pelas mãos de homens, todas foram esfaqueadas no último fim de semana. Ana Paula de Andrade, 30 anos, não resistiu aos ferimentos. Em um bar, em Planaltina, onde a mulher prestava um serviço, Raimundo Ademar Freitas, 69, a golpeou por acreditar que ela havia furtado o celular dele. As outras duas vítimas foram agredidas pelos próprios companheiros, mas conseguiram escapar da morte. 

Na frente da filha de 11 anos, Jesus de Oliveira Silva, 36, deu dois golpes de faca no pescoço de Gleize Ramos, 29. Ela estava em uma confraternização de família, no Setor Habitacional Arniqueiras, em Águas Claras, quando o homem chegou, na madrugada de domingo (23/6), e discutiu com a vítima. Após ferir a mulher, o agressor fugiu. Com ajuda irmão de Gleize, que acompanhou as buscas, a polícia encontrou o suspeito. Ele foi preso em flagrante e apresentava sinais de embriaguez. 

Socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Gleize foi encaminhada ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Ela foi liberada e se recupera em casa. "Pensei o pior. Temi por minha vida e pela dos meus filhos", desabafou. Essa não foi a primeira vez que ela foi agredida pelo companheiro, com quem estava havia 15 anos e teve três filhos. Durante o relacionamento, Gleize registrou ao menos cinco ocorrências contra ele por violação à Lei Maria da Penha. 

Desempregada, Gleize se mantinha em um ciclo de violência decorrente da dependência financeira. “Estou sem emprego. Como sustentaria meus filhos? Mas cansei. Quero paz e respeito. Agora, preciso muito de um emprego. Faxina, vendas, atendente, cuidar de crianças. Topo tudo. O que não dá é não saber se vou acordar viva no outro dia”, disse.

Jesus de Oliveira responderá pelo crime preso. Mesmo assim, o delegado responsável pelo caso, Husdon Araújo, da 18ª Delegacia de Polícia (Taguatinga), vai reforçar o pedido de afastamento entre a vítima e o agressor.  "Por ora, ele ficará longe, porque teve a prisão preventiva decretada. Ainda nesta semana, a vítima prestará um depoimento formal e solicitarei à Justiça uma medida provisória, que pode ser concedida por tempo indeterminado”, afirmou. 

Duas mortes


Além de Gleize, outras duas mulheres foram esfaqueadas no fim de semana. Ana Paula de Andrade, 30, morreu após receber uma facada no pescoço. Ela chegou para trabalhar em um bar, na Quadra 5 do Jardim Roriz, em Planaltina, quando foi surpreendida pelo agressor. De acordo com as investigações, os dois haviam discutido momentos antes do crime, e o suspeito, Raimundo Freitas, teria acusado a vítima de furto. Ele fugiu depois de matar a mulher, mas foi capturado momentos depois próximo ao local. Raimundo tinha passagem pela polícia por outro homicídio.

Na tarde de sábado (22/6), a diarista Ivanilde Ferreira, 40, foi ferida com 16 golpes, a maioria na região do tórax. O crime aconteceu na chácara onde ela morava com o marido e caseiro do local, Manoel Martírio, 45, no Núcleo Rural Alexandre Gusmão, Incra 6. Após agredir Ivanilde, o homem se matou enforcado em uma árvore. A sobrevivente foi levada em estado grave ao Hospital de Brazlândia (HRBz), onde se recupera.

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