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Correio Braziliense

Gilmar Mendes nega pedido de habeas corpus para Adriana Villela

Advogados de Adriana Villela, acusada de ser a mandante do assassinato dos pais em 2009, recorreram ao STF na tentativa de evitar que ela vá a júri popular


postado em 20/09/2019 20:12 / atualizado em 20/09/2019 21:28

Adriana Villela vai a júri popular na próxima segunda-feira(foto: Reprodução/Facebook)
Adriana Villela vai a júri popular na próxima segunda-feira (foto: Reprodução/Facebook)
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Adriana Villela. Os advogados tentavam evitar que ela fosse a júri popular na próxima segunda-feira (23/9). Com a decisão, fica mantido o julgamento da arquiteta, acusada pelo Ministério Público de ser a mandante do triplo assassinato que ficou conhecido como Crime da 113 Sul.

A defesa de Adriana Villela vem fazendo, sem sucesso, uma série de pedidos à Justiça para evitar o julgamento. Após não obter sucesso junto ao Tribunal do Júri de Brasília, os advogados recorreram Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o pedido foi negado, e, depois, ao STF.

No Supremo, o pedido foi avaliado inicialmente pelo ministro Roberto Barroso, que o acatou apenas parcialmente — manteve o júri popular, mas determinou que os jurados sejam avisados que um dos laudos apresentado como prova no processo foi feito por técnicos papiloscopistas da Polícia Civil, não considerados peritos oficiais.

Após essa vitória parcial, os advogados recorreram, por meio de habeas corpus junto ao STF, contra a decisão de Barroso e para evitar o julgamento. O ministro Gilmar Mendes, porém, não concordou com os argumentos dos representates de Adriana e negou o pedido.

Avogado da ré, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou, por meio de nota, que a defesa questionou junto ao STF a validade de um laudo papiloscópico "por entender que tal estudo não era uma perícia válida" e defendeu a exclusão do documento do processo.

"A defesa tem absoluta convicção da inocência da Adriana (...). Ela merece um julgamento justo para por fim a esta longa agonia e sofrimento. Confiamos no Tribunal do Júri que representa a sociedade de Brasília. A absolvição é a única forma de resgatar o sofrimento a que foi e é submetida Adriana Villela durante todos estes anos", conclui o texto, assinado por Kakay.

Crime da 113 Sul


Adriana responderá por furto qualificado e triplo homicídio qualificado 
de seus pais, o ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela e a advogada Maria Villela, além de Francisca Nascimento Silva, uma das funcionárias da família. O julgamento está previsto para durar cinco dias.

Conhecido como crime da 113 Sul, quadra onde ocorreu, o triplo assassinato chocou a capital federal em setembro de 2009. Após receberem mais de 70 facadas, no apartamento dos Villela, no Bloco C da quadra, a família teve joias e dinheiro furtados. A investigação ficou marcada por erros e crimes praticados por integrantes da Polícia Civil, como cinco prisões indevidas, provas plantadas, relatos de tortura e divulgação de informações sigilosas.

Os três assassinos confessos — Leonardo Campos Alves, Francisco Mairlon e Paulo Cardoso Santana — estão presos na Papuda. Juntas, as penas dos três somam 177 anos. Adriana aguarda o julgamento em liberdade.
 

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