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Correio Braziliense

Polícia ouve testemunha da morte de médico na Asa Sul

Amigo da vítima, Ringre Pires Alves presta depoimento na delegacia. Objetivo é esclarecer versões divergentes dos envolvidos. Enteado do médico também é ouvido


postado em 05/12/2019 11:03 / atualizado em 05/12/2019 13:24

Familiares da vítima também prestam depoimento na 1ª DP(foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press)
Familiares da vítima também prestam depoimento na 1ª DP (foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press)
A Polícia Civil ouve, na manhã desta quinta-feira (5/12), o policial militar da reserva Ringre Pires Alves, 51 anos, amigo do médico Luiz Augusto Rodrigues, 45 anos, morto por um policial militar, na 314/315 Sul, na última quinta-feira (27/11). Amigo da vítima, Ringre acompanhava Luiz Augusto, no momento em que os policiais realizaram a abordagem que resultou na morte do médico.

O objetivo dos investigadores é esclarecer as versões divergentes dos envolvidos no caso. Até o momento, sete pessoas foram ouvidas. No entanto, as narrativas dos três policiais militares que patrulhavam o local e de Ringre não são coerentes. 

Viviane Rodrigues, 44 anos, esposa do médico, também esteve na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), acompanhada do enteado do médico, Victor Hugo Correia, 22 anos. O rapaz, que morava com o casal, foi intimado pela polícia a prestar depoimentos. “Eles queriam saber sobre o Ringre (amigo do médico). Como somos da família, os policiais perguntaram como era a convivência com ele”, disse Victor Hugo. “Ele (Ringre Pires) era uma pessoa muito inconveniente. A gente suportava ele”, completou o rapaz.

O jovem preferiu não comentar sobre o amigo do padrasto, que acompanhava o médico, no momento da morte. “Não tenho nada a dizer pelo Ringre. É um caso complicado”, afirmou o rapaz.

Viúva de Luiz Augusto, Viviane Rodrigues já prestou depoimento à Polícia Civil e à Corregedoria da Polícia Militar (PMDF). Segundo a esposa do médico, a PM garantiu agir com celeridade para esclarecer o caso. De acordo com ela, a Polícia Militar justificou a demora na apuração dos fatos, pedindo desculpas à família. “Disseram que estavam esperando nosso luto passar”, afirmou Viviane.

Depoimento

O depoimento de Ringre Pires durou mais de três horas. Ele foi ouvido pelo delegado-chefe da 1 Delegacia de Polícia (Asa Sul), Gerson Sales. Durante o interrogatório, o amigo do médico esclareceu detalhes sobre a dinâmica do caso, mas manteve a versão de que não apontou a arma para os policiais durante a abordagem. “Ringre tem 30 anos servindo a corporação. Ele jamais faria uma dinâmica dessas. Infelizmente, houve uma fatalidade que veio a prejudicar a família do doutor Luiz”, disse Marcos Venício Fernandes, advogado do policial militar reformado.

 

Segundo Fernandes Ringre Pires “narrou os fatos de acordo com o que ele presenciou e pelo que passou”, disse. “A gente acredita que nada restará pra ele, a não ser ficar como testemunha de uma fatalidade dessas”, completou o advogado.

 

A esposa de Ringre Pires também estava presente, no momento em que Luiz Augusto Rodrigues foi morto. Ela já foi ouvida pela Corregedoria da Polícia Militar, mas ainda será interrogada pela Polícia Civil, na próxima semana. 

 

“Eles (Ringre e a esposa) estão muito pra baixo psicologicamente. A situação é muito difícil. Ela está indo à psicóloga e tomando remédio pra dormir porque ela presenciou tudo. A gente está até pedindo adiamento do depoimento dela pra ela poder se centralizar porque ela não consegue nem falar. Quando começa, chora”, disse Marcos Venício Fernandes, que defende o casal.

 

Os polícias militares que abordaram o carro da vítima, dentre eles o que disparou o tiro que matou o médico, serão ouvidos novamente pela Polícia Civil, na próxima semana.

Perícia 

Caminhonete passará por perícia na delegacia(foto: Matheus Ferrari/CB/D.A Press)
Caminhonete passará por perícia na delegacia (foto: Matheus Ferrari/CB/D.A Press)
A esposa e o enteado de Luiz Augusto Rodrigues levaram o carro em que o médico foi morto, uma Ford Ranger branca, para uma nova perícia na 1ª DP. Segundo os familiares, os investigadores solicitaram que o veículo fosse analisado novamente.
 
A Polícia Civil trabalha com duas hipóteses na apuração do caso. O inquérito, apurado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), trata o assassinato como homicídio doloso — intencional — contra a vida. Contudo, a investigação pode ser concluída como um caso de legítima defesa com erro de execução  

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