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Correio Braziliense

Manifestantes fazem 'procissão' em Taguatinga contra aumento de passagens

É o terceiro protesto contra o reajuste desde que a medida foi publicada. Distritais contestam dados do governo


postado em 21/01/2020 21:52

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Manifestantes se reuniram na noite desta terça-feira (21/1), na Praça do relógio em Taguatinga, para uma "procissão" contra o aumento das passagens de ônibus no Distrito Federal. A manifestação foi uma caminhada pelo Centro de Taguatinga em formato de romaria. 

Este é o terceiro protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o reajuste do preço das passagens do sistema de transporte público no DF. Segundo o Governo do Distrito Federal (GDF), a medida é necessária para compensar os custos com a manutenção do sistema. Desde a comunicação do reajuste, em 9 de janeiro, órgãos como a Câmara Legislativa e o Ministério Público de Contas do Distrito Federal têm questionado o GDF sobre o aumento.

A estudante de enfermagem Greice Fernandes, 21 anos, mora em Taguatinga e reclama do reajuste. "Eu moro longe do Plano Piloto e dependo exclusivamente do transporte público para me locomover. Como o passe livre estudantil não funciona no período de férias, este aumento faz meus gastos aumentarem muito", desabafa.

Para a estudante, o DF não oferece transporte de qualidade e aumentar o valor da passagem do transporte público não muda a situação. "É um absurdo os valores cobrados pelo governo, tendo em vista que não é um transporte de qualidade, não tem ônibus ou estações de metrô suficientes para atender a população", opina. 

A moradora da Asa Norte Kátia Garcia, 65, é professora de história e geografia foi outra a endossar o protesto: "O governador só anda de avião e a população de ônibus e metrô lotado. As escadas da Rodoviária estão precárias. R$ 5,50 é um assalto".

Integrante do Movimento Passe Livre, Mauro Paiva Lins explica que a performance do pagador de tarifas realizada durante a procissão é uma alusão a O Pagador de promessas — obra de Dias Gomes —, pois o cidadão do DF carrega uma catraca (cruz) para pagar os altos preços cobrados pelo governo.

Oposição parlamentar aos aumentos

Para os deputados distritais, a Secretaria de Transporte e Mobilidade precisa ser mais transparente com dados que justifiquem o aumento. Nesta terça-feira (21/1), os parlamentares e o secretário Valter Casimiro Silveira se reuniram para discutir possíveis soluções para o reajuste. 

Os distritais esperam os próximos movimentos do governo para decidir se votam o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que interrompe o reajuste das passagens, ou se o projeto será apreciado em 3 de fevereiro, quando o plenário da Câmara volta do recesso de fim de ano. A Secretaria de Transporte e Mobilidade informou que todas as informações solicitadas pela Câmara Legislativa foram repassadas nesta terça-feira.

*Estagiários sob supervisão de Fernando Jordão

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