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Correio Braziliense

"Mais 30 dias fechado não dá", diz presidente do Sindhobar

Mias de 4 mil estabelecimentos do setor devem fechar as portas em razão da crise causada pela pandemia de covid-19


postado em 15/05/2020 11:42 / atualizado em 15/05/2020 12:44

Restaurantes estão fechados, atendendo apenas em delivery e take out, desde março, para evitar contaminações pelo coronavírus(foto: Tailana Galvao/Esp. CB/D.A Press)
Restaurantes estão fechados, atendendo apenas em delivery e take out, desde março, para evitar contaminações pelo coronavírus (foto: Tailana Galvao/Esp. CB/D.A Press)
Mais de 4 mil estabelecimentos fechando as portas. Para o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhobar-DF), essa é a estimativa de dano provocado pela interrupção de atividades do setor, caso os comércios da área de alimentação só voltem a funcionar daqui a 30 dias. Decisão judicial publicada nesta sexta-feira (15/5) determina a reabertura gradual do comércio, a cada 15 dias, o que levaria ao adiamento da retomada de atividades do setor.

Para o presidente do sindicato, Jael Antônio da Silva, essa possibilidade seria calamitosa. “Mais 30 dias fechado não dá. Isso vai piorar ainda mais a situação que já é difícil. Pessoas estão sendo demitidas e estabelecimentos estão encerrando as atividades em uma escala assustadora. O melhor caminho era abrir segunda-feira (18/5), dentro do protocolo encaminhado e aceito pelo governo”, afirma Jael. 

O presidente do Sindhobar detalha que foi realizado um plano de reabertura que leva em conta medidas de saúde e de prevenção ao novo coronavírus. “É um planejamento eficaz, que conta com medidas como a distância entre as mesas, limpeza do sapato do cliente assim que ele entra no estabelecimento, fornecimento de álcool em gel, máscara para os empregados, organizador de filas no self-service, comida protegida das gotículas e muito mais”, explica. 

Jael também diz que é necessário que cada pessoa que faça parte do grupo de risco da doença tome cuidados individuais, e que abrir o comércio com segurança é a melhor opção para conciliar preocupações com saúde e economia. 

“Agora, se os estabelecimentos continuarem fechados, vamos ter mais 30% de demissões e fechar mais 30% das casas. Até aqui, calculamos cerca de 400 locais que encerraram as atividades, isso porque não recebemos dados consolidados de todas as regiões. Essa crise está atingindo a todos, pequenos e grandes”, disse.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) informou que pretende recorrer da decisão judicial e manter o plano de reabrir o comércio na segunda-feira (18/5). O presidente da Fecomércio-DF também se manifestou contra a determinação da Justiça, sob o argumento de que o setor seguirá rígidos protocolos de segurança para evitar contaminações. 

Varejo

O Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista) afirma que aguarda a determinação do governador Ibaneis Rocha em relação a quais segmentos poderão abrir as portas. Ele explica que muitas empresas já fecharam por não conseguirem manter os aluguéis e pagamento de funcionários, porém entende a gravidade da situação e a decisão da Justiça.
 
"Está tendo muitas consequências para as lojas, mas estamos vivendo uma pandemia. Podemos abrir tudo de uma vez para daqui a 10 dias fechar novamente. Tem que ser feita dessa forma mesmo, abrir com cautela. Estamos esperando o que o governador vai decidir", destacou o presidente do sindicato, Édson de Castro. 
 

Shoppings 

A decisão da justiça não agradou também representantes dos shoppings centers. Para o presidente da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), Glauco Humai, os shoppings têm condições de abrir junto com os comércios e já tem protocolos elaborados para garantir a segurança dos frequentadores. 

"A gente não vê essa decisão com bons olhos. O primeiro motivo é a  isonomia. Os shoppings não podem ser separados comércio de rua.  Isso passa a mensagem equivocada de que os shoppings não são seguros. O setor tem plenas condições de operar com segurança. É possível ter saúde e economia andando juntos, desde que tenha práticas responsáveis que garantam uma operação com monitoramento e distanciamento social", destaca Glauco.
 
Para a Abrasce, a decisão judicial precisa se analisada e espera a posição do governo. Ele destaca que no Brasil, 88 shoppings estão abertos sem aumento na curva de casos da doença. 

 
 

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