Diversão e Arte

Aplicativo e programa de televisão colocam dublagem em destaque

Dubsmash e a atração 'Lip sync battle' estão bombando na internet e trazendo a sincronia labial para o dia a dia das pessoas

Adriana Izel
postado em 18/04/2015 08:05
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A dublagem nunca esteve tanto em voga como hoje. Os motivos são muitos, a começar pelo aplicativo Dubsmash, que em uma semana entrou para a lista de recordistas de downloads no Brasil por conta, principalmente, da febre que se alastrou entre as celebridades. Claudia Leitte, Anitta, Neymar, Caio Castro, Preta Gil, Giovanna Antonelli e Xuxa são apenas alguns dos artistas brasileiros que lotaram as redes sociais com diferentes vídeos de dublagem.

[SAIBAMAIS]"Acho que é uma diversão, mas é algo passageiro. Só que é importante dizer que não é o mesmo exercício de uma dublagem mesmo. Porque quando você dubla, você escuta uma voz em outra língua e faz a sua em cima daquela. O aplicativo é só sincronizar a abertura da boca. Então não dá para comparar de fato", explica do dublador Carlos Alberto Vasconcellos, conhecido por fazer a voz do personagem Homer Simpson, na série Os Simpsons.

Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, outro tipo de dublagem faz sucesso. É o tal do lip sync (sincronia labial, em tradução livre). A técnica nada mais é do que a combinação dos movimentos dos lábios com a voz e é um recurso usado pelos cantores em apresentações em programas de tevê, em casos de covers e, em algumas situações, até em shows ao vivo.

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Repercussão


Desde a criação do programa The tonight show starring Jimmy Fallon, o playback perdeu um pouco o ar controverso. Antes que os fãs da música comecem a se descabelar, lá vai a explicação:o talk-show começou a desafiar os convidados no quadro Lip sync battle, em que cada um precisa dublar uma música. O apresentador Jimmy Fallon roubava a cena até que alguns artistas resolveram se dedicar mais à brincadeira. Assim nomes como Emma Stone, Joseph Gordon-Levitt, Blake Shelton e Gwen Stefani tiveram os vídeos das apresentações entre os mais compartilhados na web.

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O sucesso do quadro fez com que o canal norte-americano Spike aproveitasse a repercussão e criasse uma atração para a disputa. O Lip sync battle (Batalha da dublagem, em português) estreou no início de abril nos Estados Unidos e a cada programa dois participantes se enfrentam em um duelo de playback. Apresentado pelo cantor e ator LL Cool J, a atração tem participação de astros como Anna Kendrick, Anne Hathaway -- que bombou na web com a apresentação de Wrecking ball, sucesso de Miley Cyrus -- e Dwayne Johnson.

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A drag queen brasiliense Laurie Blue costuma utilizar o recurso da dublagem em suas apresentações na boate Victoria Haus. Há dois anos fazendo shows na casa noturna, a artista faz playback na hora de apresentar covers de famosas como Meghan Trainor e Adele. Pode parecer fácil, mas Laurie garante que é preciso uma preparação. "Normalmente, escutámos a música e se tiver alguma coreografia tem a preparação com os bailarinos. Tem que ser uma coisa bem certinha porque para o público tem que parecer que estamos cantando", explica.

A drag queen Laurie Blue faz dublagens em apresentações na Victoria Haus
Sobre o playback para artistas em geral, Laurie Blue disse que é importante perceber que alguns utilizam a técnica por conta da rotina cansativa. "Muitos cantores, na verdade, fazem playback no show porque a voz cansa. Mas, nesse caso, a gravação em si é da voz deles mesmos. Acho que as pessoas têm que entender a dificuldade de um ser humano em cantar, por exemplo, todos os dias de uma semana", completa a drag queen.

Casos controversos

Britney Spears é uma das cantoras conhecida pelo uso excessivo de playback
A cantora Britney Spears é um dos nomes que sempre vem à mente quando o assunto é playback. Ela foi acusada de utilizar a técnica ao longo da carreira. Recentemente, durante uma turnê em Las Vegas, inclusive, a artista apareceu dublando a faixa Perfume, porém, na voz da cantora Sia. A situação criou uma polêmica, já que Britney havia dito que não usaria o recurso nas apresentações em Las Vegas.

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Na última semana, a cantora Pitty foi alvo de críticas por sua dublagem da personagem Cassie Cage, no jogo Mortal Kombat X. A reclamação ficou por conta da entonação da voz da artista e também pela utilização da palavra "equalizar", uma referência a faixa Equalize, de Pitty. Ao encarar o vilão, a personagem fala: "Eu vou equalizar a sua cara". Essa é a segunda vez que um cantor é convidado para dublar um jogo de videogame. Roger, do Ultraje a Rigor, deu voz ao protagonista do Battlefield hardline.

Pitty foi criticada pela dublagem em um jogo de videogame
Fãs do jogo de videogame criaram uma petição no site Avaaz pedindo a retirada da dublagem feita pela cantora. O abaixo assinado foi criado em 13 de abril e, desde então, possui mais de oito mil assinaturas. Em entrevista ao site Uol, a brasileira revelou que "fez o melhor possível". "As pessoas têm o direito de gostar ou não. Acho importante para quem critica entender como funciona o processo de se fazer um jogo", afirmou. A Warner Bros., responsável pelo jogo, ainda não se pronunciou sobre o fato.

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Em relação à dublagem da cantora Pitty, Carlos Alberto Vasconcellos afirma que, como dublador, entende a situação como uma tendência que as multinacionais estão copiando do cinema. "As multinacionais estão querendo fazer algo que a indústria do entretenimento faz há algum tempo. Para chamar atenção dos desenhos que estreiam no cinema, são convidados atores em evidência para a dublagem. No jogo, eles tentaram fazer a mesma coisa. O problema é que para dublar é preciso ser ator", afirma.

Como fã de videogame, Vasconcellos analisa que é um fato complicado para os usuários que precisam ficar ouvindo a dublagem o tempo todo. "Não é o fato dela ser uma cantora de rock, mas é algo que para quem joga precisa ficar o tempo todo escutando e, se for mal feito, a pessoa pode até desistir do jogo", diz.

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Em março, um caso de dublagem mal feita virou meme na internet. A cantora Wanessa foi vítima de um erro de playback durante participação no programa de Gugu Liberato, na Record. A apresentadora estava sem o retorno da música e o que o público viu foi Wanessa tentando cantar canções aleatórias da carreira acapella, enquanto a música original Shine It on tocava ao fundo.

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