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Correio Braziliense

'WeeBoom', de Jonas Brandão, é a aposta do canal Boomerang

Nova animação confirma o bom momento dos desenhos animados no Brasil


postado em 29/07/2019 06:05

WeeBoom é mais uma animação brasileira em destaque na tevê fechada(foto: Boomerang/Divulgação)
WeeBoom é mais uma animação brasileira em destaque na tevê fechada (foto: Boomerang/Divulgação)

“Costuma-se falar que estamos no melhor momento da história da animação brasileira. Nos últimos anos, houve investimentos constantes para fomentar o setor, não só da animação, mas do audiovisual brasileiro. Com o passar dos anos, temos muitas produções de qualidade e de prestígio internacional”. É assim que o animador, produtor, roteirista e diretor Jonas Brandão define o cenário atual das animações no Brasil.

Ele, que começou nesse mercado em 2006, é hoje um dos nomes envolvidos em grandes projetos do segmento por meio da Split Studio, que tem no currículo duas animações que tiveram repercussão dentro e fora do Brasil: O menino e o mundo, indicado no Oscar de 2015, e Tito e os pássaros, que apareceu na lista pré-Oscar. Desde 5 de julho, Brandão voltou aos holofotes com o lançamento da animação televisiva WeeBoom, segunda coprodução 100% brasileira do Boomerang. “Já trabalho com série para tevê há algum tempo. Estive na série O Sítio do Picapau Amarelo e na última temporada de Turma da Mônica. Mas essa é a primeira como um dos criadores. Então essa tem um gostinho especial, é como um filho”, afirma em entrevista ao Correio.

WeeBoom entrou na programação do Boomerang no início de julho com foco no público entre 4 e 7 anos de idade, mas se estendeu até aos adultos. A primeira temporada é formada por 26 episódios de sete minutos cada, em que a história acompanha a protagonista Wee, uma garota corajosa e destemida que acaba despertando Boom, guardião de todos os sons do universo e, consequentemente, os Boomies, criaturas que lançam poderes sobre as pessoas fazendo muita bagunça pelo mundo. Cabe a Wee e Boom unirem forças e viajar por diferentes locais em busca de capturar os Boomies.

“A primeira concepção da série é de 2011. Era uma época em que eu estava determinado a viajar. Pensei que seria muito legal fazer uma série para a criança poder viajar, conhecer o mundo. Esse foi um dos principais motivos e pontos de partida para criar WeeBoom. Eu me lembrava muito daquele quadro do Castelo Rá-Tim-Bum em que girava o globo, parava com o dedo em cima do mapa e tinha um vídeo curtinho sobre o lugar. Com o WeeBoom,eu queria resgatar isso”, lembra Brandão.

Com essa premissa em mente, Jonas Brandão misturou viagem com música e criou o conceito de WeeBoom. “A questão das músicas dos lugares é um DNA da série. A cada episódio, os espectadores escutam a música do lugar. Quando estão no Egito, vão ouvir uma canção que soa como Egito. No Rio de Janeiro, colocamos o funk. E é assim por onde eles passam”, classifica. Palermo, Paris, Ibiza, Rio de Janeiro e Nova York são apenas algumas das cidades por onde o desenho animado tem passagem.

Trajetória

Diretor Jonas Brandão: novo desenho animado(foto: Boomerang/Divulgação)
Diretor Jonas Brandão: novo desenho animado (foto: Boomerang/Divulgação)


Há 13 anos, Jonas Brandão se lançou no cenário da animação. Ele conta que sempre gostou de desenhar e de consumir histórias em quadrinhos e desenhos animados. “Na época em que eu estava no colégio pensando no que ia fazer da vida, acabei estudando cinema, que foi o que achei ser o mais próximo do que eu queria (trabalhar com HQs e animações). Sempre fui tentando enveredar para esse caminho”, revela.
 
Na época da faculdade, deu o primeiro encaminhamento ao fazer um curta de animação como produto final do trabalho de conclusão de curso. “Todo mundo faz um live action. Resolvei testar e fazer um curta de animação. Desde então comecei a me enveredar assim. Desde 2006 tenho trabalhado nesse mercado”, lembra.

Por ter tido dificuldade no início da carreira, Jonas Brandão faz questão de dividir o conhecimento adquirido nesse tempo de trajetória na animação com a nova geração com cursos e workshops. “Quando eu comecei, não existia muita informação de como entrar nessa carreira, de que era uma carreira viável. Então tenho dedicado um tempo para ajudar as pessoas que estão começando. Sempre me disponho, porque eu bati muita cabeça, tive que ser autodidata, dar passos muitos curtos para chegar aonde cheguei”, completa.


»  Outras animações brasileiras


Irmão do Jorel
Sucesso absoluto no Cartoon Network e no catálogo da Netflix, Irmão do Jorel é o maior hit entre as animações do Brasil. A produção estreou em 2014 e foi a primeira série animada criada e produzida na América Latina pelo canal, além de ser a primeira brasileira a ser exibida mundialmente. De Juliano Enrico, a história gira em torno do protagonista — que não tem o nome revelado e é apenas apresentado como irmão do Jorel — ao lado da família e dos amigos. Usei minha história e minha família como ponto de partida, mas só. As pessoas podem imaginar qual é o nome dele. O irmão do Jorel é ninguém e é todo mundo”, afirma Juliano Enrico.

Oswaldo
No ar no Cartoon Network desde 2017, Oswaldo é uma criação do animador brasileiro Pedro Eboli. Em sua segunda temporada, a animação acompanha o protagonista de mesmo nome, um pinguim de 12 anos que foi criado numa família humana e vive uma vida cotidiana de uma criança humana da mesma idade, frequentando a escola, jogando videogame e comendo pizza. “Há 10 anos seria inconcebível (o cenário atual da animação brasileira) e acho que aconteceu que graças ao fomento e aos esforços de canais como o Cartoon. É incrível e uma experiência surreal ver um negócio que você desenhou na sala da sua casa, sozinho, sendo abraçado desse jeito”, avalia Pedro Eboli.

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