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Correio Braziliense

Entenda o "sumiço" do auxílio emergencial das contas da Nubank e PicPay

Empresas atribuem o problema a uma falha no sistema da Caixa Econômica Federal; estatal nega e diz não ser responsável pelo dinheiro em outros bancos


postado em 09/07/2020 20:27 / atualizado em 09/07/2020 20:44

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
Nesta semana, as redes sociais foram tomadas de denúncias feitas por clientes do Nubank e da PicPay que haviam recebido o auxílio emergencial por meio das instituições. Segundo as reclamações, o dinheiro havia desaparecido das contas, sem explicações.

As reclamações começaram na noite de terça-feira (7/7). Na quarta (8/7), o assunto se tornou um dos mais comentados do Twitter no Brasil, com as hashtags #nubankdevolvemeudinheiro e #picpaydevolvemeudinheiro figurando entre os assuntos mais comentados.



O uso das carteiras digitais para movimentação dos R$ 600 têm se tornado comum, já que a Caixa só libera as transações de saque e transferência dias depois de realizar o depósito para os beneficiados. Assim, muitas pessoas utilizam o recurso disponível por meio dessas plataformas de depósito por boleto, criadas com a promessa de driblar as altas taxas de transferências para outros bancos, os de tipo DOC e TED. Como a Caixa permite o pagamento de boletos pelo próprio aplicativo CaixaTem, a transferência pôde, então, ser realizada para a conta do beneficiário antes do prazo estipulado pela Caixa.


De quem é a responsabilidade?

Contudo, após feita a transação do dinheiro e ele ter entrado na conta do trabalhador, o valor acabou desaparecendo e, em alguns casos, a conta foi completamente zerada. Tomando conhecimento do problema, a fintech Nubank veio a público explicar o que havia acontecido e atribuiu o problema a uma instabilidade no sistema da Caixa. O mesmo fez a PicPay.

Segundo o Nubank, alguns boletos do banco estatal, pagos entre abril e junho, haviam sido creditados em quantias a mais. Ou seja, pessoas que deveriam receber uma transferência de R$ 300, por exemplo, estavam recebendo um valor superior. Por causa disso, "e como boa prática de mercado", segundo a empresa, a quantia começou a ser corrigida e, consequentemente, o dinheiro foi retirado da conta desses clientes. Entretanto, tais usuários apontaram incoerências nessa subtração.

Pressionado, o Nubank interrompeu imediatamente a devolução dos valores à Caixa e reembolsou os clientes que se sentiram prejudicados. A empresa aguarda um posicionamento da Caixa.

Da mesma forma, a PicPay atribuiu o problema às transferências relativas ao auxílio emergencial de R$ 600 e, ao contrário do Nubank, delegou à Caixa a responsabilidade de estornar o dinheiro aos seus clientes. "Milhões de usuários concluíram a transferência do benefício para o PicPay com sucesso. Porém, por instabilidade do CaixaTem, algumas transações não foram concluídas. Nesse caso, pedimos que tente novamente e, se o valor já foi debitado, seu estorno é realizado pela Caixa", escreveu a PicPay no Twitter.


Caixa nega os problemas

A Caixa Econômica Federal (CEF) afirmou nesta quinta-feira (9/7) que não é a responsável pelo "sumiço de dinheiro" do auxílio emergencial. De acordo com o vice-presidente de Tecnologia do banco, Claudio Salituro, quando o dinheiro sai da estatal e vai para alguma outra instituição financeira, assim que o dinheiro entrou na conta do cliente, a responsabilidade é do beneficiário e da empresa que recebeu o crédito.

Segundo Salituro, alguns clientes fizeram uso do mesmo código de barras mais de uma vez. E, por isso, as fintechs perceberam que havia vários pagamentos com o mesmo valor e o mesmo código de barras e verificaram se aqueles boletos estavam em duplicidade. Isso motivou uma apuração do banco responsável pelo boleto, após estímulo feito pela Caixa, no qual notou que não existia nenhum problema.

O vice-presidente de Tecnologia classificou o "desconforto temporário" causado por essa confusão como um "problema de comunicação e entendimento maior". E, apesar de ter sugerido que a responsabilidade desta questão era do Nubank e da PicPay, e não da Caixa, fez questão de destacar que o Nubank é uma "empresa bacana". "A gente respeita bastante. Tem valores importantes de comunicação e transparência. Bem como a Caixa tem o dever e a obrigação de responder com qualidade e transparência", frisou.

Nubank e PicPay, por sua vez, mantêm o crédito da falha a um problema de tecnologia da Caixa. As empresas disseram que o dinheiro teria sido debitado das contas dos clientes porque a Caixa havia sinalizado um depósito em duplicidade que precisava ser corrigido.

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