Economia

Bilionários brasileiros ficaram ainda mais ricos durante crise da covid-19

42 bilionários vivem cada vez melhor e se tornaram ainda mais abastados, ao aumentaram as fortunas em US$ 34 bilhões

Correio Braziliense
postado em 27/07/2020 14:32

Enquanto milhões de cidadãos lutam em busca do auxílio emergencial, 42 bilionários vivem cada vez melhorPesquisa da ONG Oxfam aponta que, no Brasil, enquanto milhões de cidadãos lutam em busca do auxílio emergencial, 42 bilionários vivem cada vez melhor e se tornaram ainda mais abastados, ao aumentaram as fortunas em US$ 34 bilhões, mesmo durante a crise sanitária pelo novo coronavírus.

Entre março e junho, no país, a alta nas riquezas foi de 70% maior que em toda a América Latina e Caribe, no período, onde 73 pessoas elevaram-na em US$ 48,2 bilhões (R$ 252 bilhões) — o valor, destaca a Oxfam, é equivalente a um terço do total de recursos previstos em pacotes de estímulos econômicos por todos os países da região. Ao todo, apenas esses privilegiados brasileiros acumularam, em moeda nacional, R$ 177 bilhões.

 

E as desigualdades podem crescer ainda mais, pelos impactos econômicos da crise sanitária. Os dados estão no relatório “Quem Paga a Conta? – Taxar a Riqueza para Enfrentar a Crise da Covid na América Latina e Caribe”, com base na lista das pessoas mais ricas da Forbes publicada este ano e no ranking de bilionários em tempo real, também da Forbes.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre março e maio, 7,8 milhões de pessoas perderam o emprego no Brasil, e 522,7 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas na primeira quinzena de junho.

 

Com a crise da covid-19, a ONG estima que a América Latina e o Caribe devem registrar perdas significativas de receita tributária para 2020. A queda no Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) pode chegar a 2%, ou US$ 113 milhões a menos na arrecadação, o que equivale a 59% do investimento público em saúde em toda a região.

Taxar as grandes fortunas

Nesse contexto, a Oxfam apontou algumas sugestões para o projeto de reforma tributária do governo, que começou a ser discutida no Congresso Nacional este mês. Entre as propostas, o relatório destaca o imposto sobre grandes fortunas.

 


“É impensável abordar a recuperação econômica diante dessa crise sem romper com o tabu da sub-tributação da riqueza”, aponta a Oxfam, ao frisar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) incluiu essa medida nas recomendações para responder à crise.

A ONG também propõe taxar ganhos extras das corporações, já que alguns setores, como o farmacêutico, grandes cadeias de distribuição e logística, telecomunicações ou a economia digitalizada vivem períodos de alto rendimento, aponta o relatório.

 

Essa sobretaxa extraordinária, e temporária, deveria ser aplicada sobre a parcela dos lucros durante a crise. Outra sugestão é a criação de um imposto digital para plataformas de streaming e de vendas online, que aumentaram os lucros com o isolamento social.

“No entanto, as grandes plataformas digitais vivem em uma total anomalia fiscal. Quando o sistema fiscal internacional foi desenhado, há quase cem anos, ninguém podia antecipar a evolução desses modelos empresariais de corporações digitais, às quais os vazios do sistema fiscal internacional nessa matéria permitiram operar sem tributar praticamente nada nos países onde geram suas receitas”, aponta o levantamento.

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