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Correio Braziliense

Estudantes e professores promovem marcha em Brasília

Ato é contra reforma da Previdência, os cortes na educação e queda de empregos


postado em 12/07/2019 10:29 / atualizado em 12/07/2019 21:12

Estudantes, professores e servidores de todos os estados do Brasil promovem ato na manhã desta sexta-feira (12) na Esplanada dos Ministérios. A passeata, cujo teor é por mais empregos e contra os contigenciamentos das universidades públicas e a reforma da Previdência, também faz parte da programação do 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), que ocorre até este domingo (14), na Universidade de Brasília (UnB) e no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. 

Grupo da tendência
Grupo da tendência "Vamos à Luta" em frente ao Museu Nacional (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
 

Segundo a UNE, a manifestação reúne 20 mil pessoas, mas a Polícia Militar não está divulgando a estimativa de público. A concentração do ato começou às 10h e, por volta das 13h, os manifestantes chegaram ao Congresso Nacional, onde se concentram no gramado em frente à Alameda das Bandeiras. Além de membros da UNE, estão na organização militantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) e do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), além de outras organizações sindicais e movimentos estudantis. 

 

A sessão da votação da reforma da Previdência retornou ao plenário da Câmara dos Deputados ao final desta manhã. A expectativa do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM/RJ) é que o segundo turno termine hoje.

Ver galeria . 10 Fotos Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press )
 

Durante todo o ato, as seis faixas do Eixo Monumental estiveram fechadas, nos dois sentidos. Os manifestantes começaram a se dispersar por volta de 13h40, quando as vias foram liberadas. 

 

As estudantes paulistas Ingrid (E), Vitória e Lais: militantes da Organização Afronte(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
As estudantes paulistas Ingrid (E), Vitória e Lais: militantes da Organização Afronte (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Ingrid de Sá, 24 anos, Vitória Heloísa de Oliveira, 18, e Lais Grazielle, 20, são militantes da organização Afronte. Elas vieram de São José dos Campos, São Paulo, para o Congresso da UNE. “A gente tem que lutar para derrotar esse governo, que só tem fraude e mentira”, diz Vitória. “Os estudantes devem se unir, porque somos muitos e podemos derrotar esse governo. Isso que me motiva. Essa galera que quer — e vai — mudar o Brasil”, completa. 

 

“A gente constrói a tese ‘juventude sem medo’, defendida por varias entidades,  como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e a Primavera Socialista. Viemos defendê-la no Conune”, explica Ingrid. Para Laís, o ato é uma forma de lutar pela educação, contra a Reforma da Previdência e contra o pacote anticrime. “É uma união muito grande e importante de estudantes do país inteiro.” 

 

Adriana Stella, 37, veio como um dos representantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnicos-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). Ela atua como técnica-administrativa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Nossa federação está na luta contra os cortes e contra a Reforma da Previdência”, afirma.

 

Caroline Lima, professora de história da Bahia, é filiada ao Andes(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Caroline Lima, professora de história da Bahia, é filiada ao Andes (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)

Professores filiados ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) também estão presentes. É o caso de Caroline Lima, professora de história da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). “Nós construímos esse ato em defesa da previdência social, da assistência social e a favor da aposentadoria”, diz.

 

Ellen de Aráujo, 54, veio de Mato Grosso para participar do 57º Conune(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Ellen de Aráujo, 54, veio de Mato Grosso para participar do 57º Conune (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Ellen Luiza Gomes de Aráujo, 54, está no 7º semestre de saúde coletiva na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Ela está em Brasília para participar do Conune e compareceu ao ato no Museu Nacional.

 

“Vim para protestar contra a reforma e o corte de gastos. Na minha idade, eu sei a importância da educação e não quero que os brasileiros façam como eu fiz — demorem tanto para entrar em uma universidade.” 

 

 

 

 

Guilherme Boulos, do PSOL, defende a luta em prol da educação pública(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Guilherme Boulos, do PSOL, defende a luta em prol da educação pública (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Guilherme Boulos, que foi candidato à Presidência nas últimas eleições pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), falou sobre os ataques à educação. “Nós temos um governo que é contra a educação, não apenas porque faz cortes e ataca a sustentação das universidades públicas e dos institutos federais, mas porque defende uma educação domesticada. O governo não quer que a juventude seja formada para a vida, para a cidadania, com pensamento crítico. Quer uma educação que forme engrenagens para movimentar o mercado de trabalho.”

 

Boulos exaltou o educador Paulo Freire e a inclusão social na educação. “Estamos aqui para defender a educação de Paulo Freire, para defender negros e negras na universidade, defender cotas, defender assistência social. Também estamos aqui para dizer que o que se passa dentro da Câmara está sendo visto pela sociedade e quem votou por essa Reforma vai pagar o preço. Temos hoje um canalha, um sem vergonha na Presidência da República, e a casa começou a cair. Eles ainda têm força, mas não a mesma, a popularidade está caindo", disse. 

 

Vera Lúcia (PSTU) falou em união de Norte a Sul do Brasil(foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
Vera Lúcia (PSTU) falou em união de Norte a Sul do Brasil (foto: Clara Lobo/Esp. CB/D.A Press)
A ex-candidata à Presidência pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) Vera Lúcia afirmou que o ato demonstra a união "de Norte a Sul desse país, onde se juntam estudantes e trabalhadores da cidade e do campo para denunciar o crime que está em percurso no Congresso Nacional (a reforma da Previdência) por um governo reacionário.” Ela continuou: “esse governo não é nosso. Esse Congresso não é nosso. Se fossem, estaríamos aqui comemorando melhorias para a classe trabalhadora.”

 

A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffman também discursou aos manifestantes. “Nós precisamos dos estudantes com sangue nos olhos, com faca nos dentes, com vontade de lutar nas ruas desse país. Não esperem que saia do Congresso qualquer medida a nosso favor”, disse. “O povo brasileiro ainda vai chorar muito por esse desmonte, mas é nos momentos difíceis, nos momentos de luta, que reunimos forças pra lutar."

 

Confira cobertura do ato:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Estagiárias sob a supervisão de Ana Sá. 

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