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Correio Braziliense

'Ninguém é obrigado a continuar', diz Bolsonaro sobre saída de Paulo Guedes

Afirmação ocorre após o ministro afirmar que pode deixar o governo se a reforma da Previdência virar uma 'reforminha'


postado em 24/05/2019 15:12 / atualizado em 24/05/2019 17:24

(foto: Marcos Corrêa/PR)
(foto: Marcos Corrêa/PR)
Após declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a possibilidade de deixar o governo se a reforma da Previdência virar uma “reforminha”, o presidente Jair Bolsonaro, que está em viagem pelo Nordeste, respondeu, nesta sexta-feira (24/05), dizendo que “é um direito dele”. 

“É um direito dele, ninguém é obrigado a continuar como ministro meu. Logicamente ele está vendo uma catástrofe, é verdade, eu concordo com ele (Guedes), se nós não aprovarmos algo realmente muito próximo ao que enviamos no Parlamento. O que Paulo Guedes vê, e ele não é nenhum vidente, nem precisa ser, para entender que o Brasil vai viver um caos econômico sem essa reforma”, disse, em Recife (PE).

Na primeira visita ao Nordeste como presidente da República, Bolsonaro também se irritou com uma pergunta sobre sua rejeição na região. “Pode fazer uma pergunta inteligente, por favor?”, respondeu.
 

Aprovação

Presidente da comissão especial da reforma da Previdência, o deputado Marcelo Ramos (PR-AM), disse nesta sexta que, com ou sem o ministro Paulo Guedes (Economia) no governo, a proposta para endurecer as regras de aposentadorias vai ser aprovada.

Ramos e o relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP), avaliam que a declaração do ministro não tem efeito sobre o Congresso. “A Câmara tem compromisso com a reforma independente desse discurso (de Guedes) que beira a chantagem. Ele é importante, mas, com ele ou sem ele, vai ter reforma”, disse o presidente da comissão. 
 

Viagem ao Nordeste 

O Nordeste é a região na qual Bolsonaro tem a sua pior avaliação. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em abril, 39% dos nordestinos consideram o seu governo ruim ou péssimo ante 30% da média nacional. O pesselista foi derrotado nos nove estados da região na eleição do ano passado, ficando atrás do então candidato Fernando Haddad (PT).

Oficialmente, o encontro desta sexta serviu para aprovar o Plano de Desenvolvimento do Nordeste, que tem o objetivo de estimular a economia na região, em reunião da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste). O governo diz que quer enviar o projeto para aprovação do Congresso até agosto. 

Os governadores dos estados nordestinos e de Minas Gerais, que também participaram da reunião, além do governador do Espírito Santo, ausente nesta sexta, reivindicam a definição concreta de como esse plano será financiado. Eles querem que ao menos 30% do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste sejam destinados a isso. 

Após o encontro, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, anunciou um acréscimo para o fundo, de cerca de R$ 4 bilhões, mas ainda não bateu o martelo sobre como será a ajuda para o plano. 

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