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Correio Braziliense

Moro sugeriu nota de procuradores após depoimento de Lula, afirma site

Site traz novas conversas pelo celular atribuídas a Sérgio Moro e procuradores da Lava-Jato. De acordo com os diálogos, o então juiz recomendou que força-tarefa rebatesse argumentos da defesa em nota pública


postado em 15/06/2019 11:29

(foto: Sérgio Lima/AFP)
(foto: Sérgio Lima/AFP)
O site The Intercept Brasil divulgou, na noite de sexta-feira (14/6), novos trechos de mensagens de celular atribuídas ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Paraná. Segundo a reportagem, os diálogos agora revelados foram realizados após o primeiro depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá ao então juiz federal Moro, que acabaria condenado o petista a mais de nove anos de prisão naquela ação.

Segundo o Intercept, na noite de 10 de maio de 2017, após o depoimento de Lula, Moro perguntou ao procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em mensagem no aplicativo Telegram, o que o acusador de Lula havia achado da audiência. Após as impressões de Lima, Moro teria sugerido que a força-tarefa divulgasse uma nota apontando contradições no depoimento do petista, para que os argumentos da acusação fossem divulgados na mídia. 

Moro teria escrito: "Talvez vcs devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele. Por que a Defesa já fez o showzinho dela".

A reportagem continua mostrando uma série de outros diálogos entre os procuradores e a assessoria de imprensa do Ministério Público. Pelas conversas, entende-se que não havia consenso sobre se a divulgação da nota seria a melhor estratégia, mas, no fim, optou-se pela divulgação do comunicado, no dia 11.

Moro diz que não comenta "supostas mensagens"

Os autores da matéria avaliam que a troca de mensagens é mais uma evidência de que Moro não agiu com imparcialidade ao julgar Lula. "Moro, o juiz do caso, zombava do réu e de seus advogados enquanto fornecia instruções privadas para a Lava Jato sobre como se portar publicamente e controlar a narrativa na imprensa", aponta o Intercept.

Diferentemente do que aconteceu quando as primeiras conversas foram reveladas, o site procurou os citados antes da publicação. O Ministério Público não respondeu. Já Moro emitiu um comunicado. “O Ministro da Justiça e Segurança Pública não comentará supostas mensagens de autoridades públicas colhidas por meio de invasão criminosa de hackers e que podem ter sido adulteradas e editadas, especialmente sem análise prévia de autoridade independente que possa certificar a sua integridade. No caso em questão, as supostas mensagens nem sequer foram enviadas previamente”, diz a nota, segundo o Intercept.

Desde que vieram a tona, as conversas fizeram com que Moro passasse a sofrer duras críticas, embora muitas autoridades e entidades de classe tenham saído também em sua defesa. O presidente Lula voltou a chamar Moro de mentiroso e disse que sua "máscara caiu". E a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomendou seu afastamento do ministério. Na sexta-feira, porém, o presidente Jair Bolsonaro disse que a chance de demiti-lo é "zero".

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