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Correio Braziliense

Carlos Bolsonaro escolhe meme para anunciar volta às redes sociais

O vereador sumiu numa tentativa de se preservar após ter o nome envolvido na CPI Mista das Fake News


postado em 08/12/2019 14:50 / atualizado em 08/12/2019 15:00

(foto: Sérgio Lima/AFP)
(foto: Sérgio Lima/AFP)
Após quase um mês, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) reativou as contas nas redes sociais no Twitter e no Instagram. Até a publicação da reportagem, o Facebook do filho do presidente Jair Bolsonaro continuava desativada. A única postagem foi no Twitter, onde ele postou um meme.


A publicação não diz nada e apenas um um GIF do chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae, dono da rede de steakhouses Nusr-Et. Às 14h30, o posto tinha quase 3,5 mil comentários, 2 mil curtidas e 11 mil favoritadas. A foto de perfil é do vereador segurando um fuzil de assalto 7.62, que no Brasil é exclusivo das Forças Armadas e de algumas forças policiais. A biografia diz que Carlos é “vereador da cidade do Rio de Janeiro (ainda podendo opinar sobre o que achar pertinente).”


Numa tentativa de se preservar após ter o nome envolvido na CPI Mista das Fake News e ver assessores voltarem a prestar depoimento na investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), o vereador Carlos Bolsonaro sumiu das redes sociais. O "sabático" forçado incomodou o segundo filho do presidente Jair Bolsonaro, que ficou sem postar nada no Twitter e no Facebook desde 11 de novembro, mas foi recebido com alívio por ministros e aliados do presidente.


Desde janeiro não faltaram críticas abertas às posições de Carlos por parte de autoridades do Planalto, mas quem o recriminou acabou perdendo força no núcleo do governo. Interlocutores do presidente dizem que a decisão foi tomada pelo próprio vereador, sem interferência do pai — Carlos, no entanto, conversa com Bolsonaro por telefone quase todos os dias. 


O vereador não usou a rede nem mesmo para reagir a ataques. Semana passada, assessores quem negaram que Carlos jogou o computador fora, numa suposta "queima" de arquivo. O vereador, porém, se "segura" pelo pai. Ele quer reverter a pecha de que sua atuação nas redes engessa o Planalto. A aliados próximos, Bolsonaro reclama que os opositores tentam empurrar seu filho para o centro das investigações.

 

De olho em 2022 

Carlos aproveitou o momento para repensar seus movimentos políticos. É uma preparação, dizem aliados, para 2022 e a volta era certa às redes sociais. Prestes a completar 37 anos, o vereador mais votado do Rio em 2016 tem dito que não pretende disputar, no próximo ano, o sexto mandato consecutivo. Fora da Câmara, ele se dedicaria à campanha pela reeleição do pai.


O afastamento foi recomendado pelos advogados por conta dos trabalhos da CPI das Fake News. O "02" de Bolsonaro foi citado em praticamente todos os depoimentos ouvidos pela comissão, acusado de comandar o "gabinete do ódio", instalado no Palácio do Planalto, de onde partiriam ataques a adversários da família


Um dos responsáveis por administrar as contas do presidente na internet, Carlos criou problemas políticos para o governo por suas postagens. Em 17 de outubro, por exemplo, a conta oficial de Twitter do presidente publicou uma defesa da prisão após condenação em segunda instância e da Proposta de Emenda à Constituição sobre o tema que tramita na Câmara. No mesmo dia, o post foi apagado e Carlos pediu desculpas pelo gesto, interpretado como tentativa do Executivo de interferir em outros Poderes.

No Planalto, não se discute a importância de Carlos na vitória de Bolsonaro. O vereador convenceu o ainda pré-candidato a criar uma página no Facebook, como forma de deslanchar a candidatura sem dinheiro. A página foi criada em março de 2014 e incrementada a partir de 2017. Hoje, Bolsonaro tem 11,47 milhões de seguidores no Facebook, 5,5 milhões no Twitter e outros 14,5 milhões no Instagram.

 

Com informações da Agência Estado 

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