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Ex-presidentes da República se solidarizam com STF após ataques à Corte

José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer se manifestaram. No sábado, manifestantes bolsonaristas soltaram fogos em direção ao STF e xingaram ministros

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 14/06/2020 20:22
Palácio do Planalto com bandeira do Brasil ao fundoTrês ex-presidentes da República se manifestaram neste domingo (14/6) em solidariedade ao Supremo Tribunal Federal (STF), alvo de ataques de manifestantes bolsonaristas.

José Sarney e Michel Temer demonstraram apoio à fala do presidente da Suprema Corte, Dias Toffoli, que classificou o episódio como "um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas". "Solidário à sua mensagem, junto o meu protesto contra inqualificável e criminosa agressão ao STF, guardião da Constituição, integrado por magistrados de altas virtudes culturais e morais. Peço para estender minha solidariedade a toda Corte", disse Sarney, em nota.

"A agressão física a Suprema Corte revela o desconhecimento de suas elevadas funções como um dos principais garantes da democracia integrada, como é , por juristas do maior porte e forjados na ideia de rigoroso cumprimento da Constituição Federal", afirmou Temer.

Fernando Henrique Cardoso, por sua vez, usou as redes sociais para demonstrar solidariedade ao STF: "Os fogos vistos no YouTube e a voz tremebunda atacando-o são contra a democracia. Gritemos: não ao golpismo! Os militares são cidadãos, devem obediência à Constituição como todos nós. Defendamos juntos Brasil, povo e lei, antes que seja tarde".
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Na mesma linha, Fernando Collor disse que o ataque é uma afronta "à mais básica racionalidade democrática e uma ofensa à ordem constitucional". Ainda, que tentar amedrontar a Justiça "com manifestações de ódio é intolerável".
O ex-presidente Lula também usou as redes para se manifestar. "Qualquer instituição que faz parte da garantia do funcionamento da democracia no nosso país precisa ser respeitada em sua plenitude. É inadmissível a irresponsabilidade dessa manifestação agressiva contra o STF".
José Sarney também prestou solidariedade ao STF. "Solidário à sua mensagem, junto o meu protesto contra inqualificável e criminosa agressão ao STF, guardião da Constituição, integrado por magistrados de altas virtudes culturais e morais. Peço para estender minha solidariedade a toda Corte".
Na noite de sábado, manifestantes a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) soltaram fogos em direção ao STF e proferiram ofensas aos ministros e ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O ato foi uma resposta a uma ação da Secretaria de Segurança e do DF Legal que retirou acampamentos de bolsonaristas da Esplanada dos Ministérios, com base em um decreto que proíbe aglomerações como forma de conter a pandemia de covid-19. Após a desocupação, Ibaneis ainda decretou o fechamento da Esplanada ao longo do domingo.

Reações

Além de Toffoli, outros ministros da Suprema Corte comentaram a ação de bolsonaristas. Gilmar Mendes afirmou que ;;o ódio e as ameaças do vídeo são lamentáveis;;. Alexandre de Moraes, por sua vez, disse que o STF ;;jamais se curvará;;. Na contramão, o ministro da Justiça, André Mendonça, disse que as instituições devem respeitar o povo e que "todos devemos fazer uma autocrítica".

Demissão no comando da PF e prisão

A ação no STF reverberou no comando da Polícia Militar do DF. Na manhã deste domingo (14/6), Ibaneis Rocha exonerou o subcomandante-geral da PM, Coronel Sergio Luiz Ferreira de Souza, responsável pelo comando geral neste fim de semana.

Também no domingo, a Polícia Civil do DF prendeu um homem identificado como Renan Silva Sena, que aparece em um vídeo soltando os fogos em direção ao STF e xingando o governador Ibaneis Rocha. Renan é o mesmo homem que, em maio, hostilizou e agrediu verbalmente enfermeiras que estavam em um protesto silencioso na Praça dos Três Poderes.

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