Com a aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia pelo Senado em 24 de março de 2026, a discussão sobre o tema ganhou força. Agora, enquanto a proposta segue para a Câmara dos Deputados, muitas pessoas se perguntam qual a real diferença entre os termos. Embora pareçam sinônimos e estejam relacionados, os conceitos de misoginia e machismo são distintos. Entender essa separação é fundamental para compreender o debate público e a natureza de certas violências.
Ambos os conceitos tratam da desigualdade de gênero, mas de maneiras diferentes. Um se refere a uma estrutura social ampla, enquanto o outro descreve um sentimento ou uma ação específica de ódio.
O que é machismo?
O machismo é um sistema estrutural de crenças e práticas que parte da ideia de que os homens são superiores às mulheres. Essa visão cria uma hierarquia social que beneficia o gênero masculino em diversas áreas, como na política, no mercado de trabalho e até mesmo dentro de casa.
Atitudes machistas podem ser explícitas, como a crença de que mulheres não sabem dirigir, ou mais sutis, como a divisão desigual de tarefas domésticas. A expectativa de que a responsabilidade pelo cuidado da casa e dos filhos recaia majoritariamente sobre elas é um exemplo claro de como essa estrutura funciona no dia a dia.
O que é misoginia?
Já a misoginia é o ódio, o desprezo ou a aversão direcionada especificamente às mulheres. Não se trata apenas de uma crença na superioridade masculina, mas de um sentimento hostil que se manifesta em ações concretas de violência, humilhação e controle.
São exemplos de misoginia os discursos de ódio online que atacam mulheres por suas opiniões, a violência física motivada pelo gênero e a desumanização do corpo feminino. É a ação que busca punir, silenciar ou agredir a mulher pelo simples fato de ela ser mulher.
Qual a principal diferença?
A principal diferença está na intensidade e na intenção. O machismo é a estrutura, a base cultural que normaliza a desigualdade. A misoginia é a manifestação ativa e odiosa dessa desigualdade. Uma boa forma de entender é pensar que o machismo diz onde a mulher “deve estar”, enquanto a misoginia ataca a mulher que ousa sair desse lugar.
Portanto, toda misoginia é uma expressão de machismo, mas nem todo ato machista é misógino. A discussão sobre a criminalização da misoginia busca justamente punir essas manifestações de ódio de forma específica, reconhecendo que a hostilidade contra mulheres por questões de gênero precisa de uma resposta legal mais contundente.










