Ruas vazias, comércios fechados e o silêncio onde antes havia vida. Este é o cenário atual de bairros inteiros de Maceió, em Alagoas, transformados em uma vasta área fantasma pelo afundamento do solo provocado pela mineração de sal-gema da Braskem. O que antes eram comunidades vibrantes hoje são zonas de exclusão, um retrato de uma das maiores tragédias socioambientais em área urbana do Brasil.
O processo de desocupação, iniciado em 2018, foi a resposta a um desastre que se desenvolveu por décadas. A extração de sal-gema no subsolo criou cavernas instáveis que começaram a ceder, provocando tremores de terra, rachaduras em imóveis e o colapso gradual do terreno. A evacuação foi a única medida possível para garantir a segurança dos moradores.
Hoje, caminhar por essas ruas é uma experiência desoladora. Enquanto parte dos imóveis permanece de pé, marcada por rachaduras e pelo abandono, muitos já foram ao chão: até o momento, 67,33% das edificações foram demolidas. A vegetação avança sobre o concreto, e o acesso é restrito, controlado por segurança privada para evitar saques e novas ocupações. A área se tornou um memorial a céu aberto de uma cidade que desapareceu.
Os bairros evacuados
A mancha de evacuação atingiu principalmente cinco bairros, alterando para sempre a geografia e a vida da capital alagoana. As áreas afetadas de forma mais crítica foram:
- Pinheiro
- Mutange
- Bebedouro
- Bom Parto
- Farol (parcialmente)
O impacto humano e econômico é imenso. Estima-se que cerca de 60 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, resultando na desocupação de 14.549 imóveis. Além das moradias, cerca de 4.500 pequenos e médios empreendimentos foram fechados. Famílias inteiras perderam não apenas seus bens, mas também suas referências, suas histórias e seus laços comunitários construídos ao longo de gerações.
A Braskem tem executado um programa de compensação financeira para os moradores e empresas afetadas, além de ter firmado acordos com o poder público para reparação dos danos urbanos e ambientais. Mesmo com os pagamentos, muitos ex-residentes relatam a dificuldade de recomeçar a vida em outros lugares da cidade.
A área desocupada segue sob monitoramento contínuo para avaliar a estabilização do solo. A cicatriz deixada na malha urbana de Maceió, no entanto, é permanente, um lembrete visível das consequências da atividade industrial quando os riscos não são devidamente gerenciados.










