O Banco de Brasília (BRB) atravessa a mais grave crise de sua história, uma situação que vai muito além de uma simples alta na inadimplência. A origem do problema está na aquisição de uma carteira de aproximadamente R$ 12 bilhões em créditos do Banco Master, que são alvo de investigações por suspeitas de fraude. O escândalo levou à liquidação do Master pelo Banco Central e colocou o BRB sob intensa pressão regulatória e financeira.
A situação gerou profunda preocupação entre investidores e clientes, motivando uma grande mobilização política para buscar soluções, dada a importância estratégica do banco para o Distrito Federal. A desvalorização das ações do BRB chegou a 20,5% em 2026, em um período em que o Ibovespa registrava alta, evidenciando a gravidade do cenário.
O que levou o banco a esta situação?
Diferente do que se especulou inicialmente, a instabilidade não foi causada por uma “expansão agressiva”, mas pela compra dos ativos do Banco Master. A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar as fraudes, que envolvem créditos consignados potencialmente falsificados. Como consequência, o Banco Central interveio e liquidou o Banco Master, deixando o BRB com um prejuízo bilionário em seu balanço.
Para se proteger do rombo, o BRB foi obrigado a realizar provisões maciças — reservas de dinheiro para cobrir perdas —, o que impactou diretamente sua lucratividade. Além disso, o banco descumpriu limites prudenciais do Banco Central, que determinou a reserva de R$ 3 bilhões para garantir sua segurança operacional.
Qual o impacto e os próximos passos?
O cenário crítico levou o Governo do Distrito Federal (GDF), acionista majoritário, a articular um complexo plano de resgate. As medidas em estudo são concretas e visam capitalizar o banco. Entre elas estão um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e um projeto para transferir até R$ 6,4 bilhões em imóveis da Terracap para o BRB.
Outras frentes incluem a venda de ativos recuperados do Banco Master e a securitização de dividendos de empresas públicas como CEB e Caesb. O banco corre contra o tempo, com prazo até 31 de março de 2026 para apresentar seu balanço e um plano de solução, sob risco de sanções da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), como a suspensão do registro de companhia aberta.
Para os clientes, é importante ressaltar que as operações do dia a dia, como saques, pagamentos e transferências, continuam funcionando normalmente. A prioridade da gestão é garantir a estabilidade operacional enquanto busca uma solução de longo prazo para proteger correntistas e o patrimônio da instituição.








