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Likes e performance: como as redes sociais afetam jovens atletas

Por Lara
14/04/2026
Em Bem-estar
Créditos: depositphotos.com / AndreyBezuglov

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Em poucos anos, a rotina esportiva de muitos adolescentes mudou de forma intensa. O treino deixou de acontecer apenas em quadras, pistas e ginásios e passou a ocupar, também, um espaço constante no ambiente digital. Em perfis abertos ou privados, aparecem tempos de prova, séries de musculação, metas de corrida e fotos de pódio. Nesse cenário, o jovens atletas nas redes sociais passa a viver a carreira em duas frentes: a do esforço silencioso do dia a dia e a da exibição pública, que funciona como uma vitrine permanente.

Assim, cada postagem se transforma em um marcador simbólico de rendimento. Ao lado de professores, treinadores e colegas de equipe, entram em cena seguidores, influenciadores e desconhecidos que comentam, cobram, elogiam e comparam. Para quem ainda está em fase de desenvolvimento emocional, lidar com esse grande volume de olhares pode representar um desafio extra, somando-se às pressões já comuns em competições, seletivas e testes de desempenho.

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Saúde mental dos jovens atletas: como as redes sociais entram em cena?

A saúde mental dos jovens atletas é influenciada por diversos fatores, como rotina de treinos, ambiente familiar, relações com colegas e treinadores, além das expectativas de futuro. Com as redes sociais, surge mais um elemento: a opinião constante de um público amplo e heterogêneo. Curtidas, reações e comentários passam a ser interpretados como sinais de aprovação, rejeição ou indiferença, criando um “placar paralelo” ao que acontece nas competições formais.

Na adolescência, a identidade ainda está em construção. É comum que o valor pessoal seja, em parte, associado ao reconhecimento externo. Quando esse reconhecimento passa a ser medido por engajamento digital, qualquer oscilação nas interações pode afetar humor, autoestima e motivação. A imagem que aparece na tela — seja um recorte do corpo, o tempo de prova ou o resultado exibido — tende a ganhar um peso semelhante ou até maior que o próprio processo de aprendizado e evolução no esporte. Além disso, muitos jovens começam a se comparar não só com atletas da mesma idade, mas também com profissionais já consolidados, o que intensifica a sensação de inadequação e de que nunca estão “no nível certo”.

Redes sociais podem interferir no desempenho esportivo?

A relação entre redes sociais e desempenho esportivo não se limita ao impacto emocional. Há efeitos diretos na organização da rotina e na qualidade do treino. Em muitos casos, o celular permanece por perto durante toda a sessão: serve para filmar exercícios, registrar trechos de corrida, atualizar stories ou conferir comentários e mensagens recentes. Essa divisão de atenção reduz a capacidade de concentração em orientações técnicas, ajustes de movimento e percepção do próprio corpo, elementos fundamentais em qualquer modalidade.

Outro ponto frequente é a mudança constante de objetivos. Ao acompanhar, na mesma linha do tempo, maratonistas, praticantes de cross training, atletas de força e velocistas, o jovem tende a misturar referências. Em um mês, o foco pode estar em percorrer longas distâncias; no seguinte, em ganhar massa muscular; depois, em melhorar apenas a velocidade. Sem um planejamento estruturado, essa alternância rápida de metas diminui as chances de evolução consistente e aumenta o risco de frustração.

  • Interrupção de treinos para gravação de vídeos ou fotos;
  • Dificuldade de manter a atenção nas orientações do treinador;
  • Adaptação apressada de exercícios vistos em perfis de alto rendimento;
  • Redução das horas de sono por uso de telas até tarde da noite;
  • Aumento da tensão em provas, pela expectativa de exposição pública do resultado.

Quais os riscos de copiar treinos e métodos divulgados on-line?

Com o grande volume de conteúdos esportivos on-line, muitos adolescentes passam a seguir rotinas que foram criadas para realidades muito diferentes das suas. Planilhas pensadas para adultos, desafios intensos em poucos dias ou programas com alto volume de carga costumam ser reproduzidos sem avaliação prévia de histórico, idade, preparo físico e possíveis limitações. Essa adaptação improvisada pode provocar dores recorrentes, sobrecarga de articulações, queda de rendimento e até conflitos com o planejamento elaborado pela equipe técnica.

Existe, ainda, o efeito da “informação em excesso”. Em poucas horas, o jovem é exposto a opiniões divergentes sobre alimentação, horários ideais de treino, tipos de aquecimento, métodos de recuperação e suplementos. Sem acompanhamento próximo, essa diversidade pode gerar confusão e a sensação de que sempre falta algo. A dúvida permanente — se está fazendo o suficiente, se escolheu o melhor método, se deveria mudar tudo de uma vez — pesa na confiança e dificulta a construção de um projeto esportivo de longo prazo. Para os jovens atletas, essa insegurança pode levá-los a abandonar estratégias que estavam funcionando, apenas porque viram uma “nova fórmula” na internet, rompendo processos que exigem tempo e continuidade.

  1. Verificar se quem produz o conteúdo tem formação em educação física, fisioterapia ou áreas correlatas;
  2. Observar se há indicação clara de que a rotina deve ser adaptada a cada pessoa;
  3. Evitar copiar programas completos sem conversar antes com o treinador ou preparador físico;
  4. Desconfiar de promessas de resultados rápidos, fáceis e sem ressalvas;
  5. Dar preferência a materiais de clubes, federações, instituições de ensino e profissionais reconhecidos.

Como perceber que as redes sociais estão passando do limite?

Alguns comportamentos ajudam a identificar quando o jovens atletas nas redes sociais está desenvolvendo uma relação pouco saudável com o ambiente digital. A necessidade de transformar cada treino em conteúdo, o incômodo ao não registrar uma sessão e a frustração intensa quando uma postagem tem pouca repercussão são sinais de alerta. Nesses casos, o foco deixa de ser o desenvolvimento esportivo e passa a se centrar na reação do público.

Também merecem atenção as mudanças de humor ligadas diretamente ao que acontece on-line: irritação depois de comentários críticos, desânimo ao ver resultados de outros atletas, queda de ânimo quando o próprio desempenho não parece “digno de postagem”. Em paralelo, podem aparecer dificuldade para dormir, piora na qualidade do descanso, perda de interesse por atividades fora do esporte e tendência a evitar competições por medo da exposição de eventuais erros ou derrotas.

  • Ligação direta entre autoestima e métricas como curtidas, visualizações e número de seguidores;
  • Sensação constante de estar atrás de colegas e ídolos das redes;
  • Aumento da autocrítica após qualquer erro em treinos, jogos ou provas;
  • Uso de treinos excessivamente pesados apenas para gerar cenas impactantes;
  • Desconfiança crescente em relação ao plano traçado pela comissão técnica.

Como tornar o uso das redes mais saudável para os jovens atletas?

Algumas atitudes simples ajudam a equilibrar o uso de redes sociais e a saúde mental dos jovens atletas. Estabelecer horários específicos para acessar conteúdos esportivos, responder mensagens e postar reduz a sensação de vigilância permanente. Manter o celular fora do alcance durante parte dos treinos facilita a concentração na execução das tarefas e permite que o atleta perceba melhor o próprio corpo, o ritmo e as orientações do treinador.

Outra estratégia importante é conversar, em família e com a equipe técnica, sobre a diferença entre rotina real e recorte digital. Falar abertamente sobre edição de imagens, escolha de melhores momentos e ausência de bastidores ajuda a diminuir comparações distorcidas. Quando a pressão, a ansiedade ou a desmotivação se tornam frequentes, o acompanhamento psicológico especializado pode oferecer apoio para construir uma percepção mais estável sobre desempenho, identidade e futuro no esporte. Também é útil que os jovens atletas aprendam, com ajuda de adultos de referência, a definir limites claros de exposição — como o que desejam ou não compartilhar — preservando aspectos da vida pessoal e lembrando que nem tudo precisa virar conteúdo.

Com esse tipo de cuidado, as redes deixam de ser um campo de cobrança constante e passam a ocupar um lugar mais equilibrado na vida do jovem. O objetivo central volta a ganhar destaque: praticar esporte como caminho de desenvolvimento físico, social e emocional, e não apenas como conteúdo a ser exibido na tela.

Tags: bem-estarconteúdos esportivos on-linedesempenho esportivojovens atletaslikesRedes Sociaissaúde mental
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