Anos após a saída oficial dos irmãos Castro do poder, Cuba enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história recente. Sob a liderança de Miguel Díaz-Canel, a população convive com a escassez de alimentos, remédios e combustível, além de apagões diários que paralisam a rotina na ilha.
A situação desencadeou uma onda de protestos populares, com manifestações que se espalharam por diversas cidades. O cenário atual é resultado de uma combinação de fatores: o endurecimento do embargo econômico dos Estados Unidos, o impacto da pandemia na indústria do turismo e falhas na gestão interna da economia.
Crise econômica e escassez
A vida cotidiana em Cuba é marcada por longas filas para comprar produtos básicos como pão, frango e óleo. A inflação disparou, corroendo o poder de compra dos salários, que continuam baixos. A falta de divisas estrangeiras dificulta a importação de insumos essenciais, afetando desde a produção agrícola até o sistema de saúde.
Para contornar a falta de energia, o governo implementou um cronograma de cortes programados, conhecidos como “apagones“. Em algumas regiões, a eletricidade chega a faltar por mais de 12 horas por dia, impactando residências e o funcionamento de pequenos negócios, que já operam com dificuldade.
Protestos e o cenário político
Embora Raúl Castro tenha deixado a liderança do Partido Comunista em 2021, consolidando a transição para Miguel Díaz-Canel, a estrutura de poder permanece centralizada. A resposta do governo às manifestações tem sido a repressão, com prisões de manifestantes e o bloqueio do acesso à internet para impedir a organização de novos atos.
Os protestos, muitos deles pacíficos e motivados pela fome e pelo desespero, representam um desafio significativo para o governo. A crise também impulsionou um êxodo recorde, intensificado entre 2023 e 2026. Milhares de cubanos, principalmente jovens, deixaram o país em busca de melhores condições de vida, agravando a crise demográfica e a perda de mão de obra qualificada na ilha.







