O Japão promove a maior expansão de seu poderio militar desde a Segunda Guerra Mundial, abandonando décadas de uma postura pacifista. A mudança, formalizada na Estratégia de Segurança Nacional de 2022, é uma resposta direta à crescente influência da China, identificada como o principal desafio estratégico do país. Com um dos maiores orçamentos de defesa do mundo, o Japão investe pesado em tecnologia e capacidade de ataque.
A nova estratégia de segurança nacional japonesa permite, pela primeira vez, a aquisição de mísseis de longo alcance com capacidade de contra-ataque. O objetivo é dissuadir potenciais adversários, permitindo que o Japão possa atingir bases inimigas em caso de agressão direta ao seu território. Essa capacidade representa uma quebra radical com a política anterior, que limitava suas forças a um papel estritamente defensivo.
O investimento financeiro reflete essa nova prioridade. O Japão está executando um plano quinquenal para dobrar seus gastos com defesa, com a meta de atingir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até março de 2026. Esse aumento posicionará o país como o terceiro maior investidor militar do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, alinhando-o aos padrões da OTAN.
O que compõe o novo poderio militar japonês?
A modernização das Forças de Autodefesa do Japão abrange ar, mar e terra. O país está adquirindo dezenas de caças furtivos F-35, de fabricação americana, que são considerados os mais avançados do mundo. Esses aviões são projetados para operar em ambientes de alta ameaça e possuem tecnologia para evitar a detecção por radares.
No mar, a transformação é igualmente notável. Os dois porta-helicópteros da classe Izumo, o JS Izumo e o JS Kaga, estão sendo convertidos para operar como porta-aviões leves, capazes de lançar os caças F-35B. Essa adaptação confere ao Japão uma capacidade de projeção de poder naval que não possuía há mais de 70 anos.
Além disso, o país investe em mísseis de longo alcance, como a versão aprimorada do míssil antinavio Type-12, com alcance projetado para cerca de 1.000 quilômetros, enquanto avança no desenvolvimento de tecnologia hipersônica. O fortalecimento militar também passa por alianças estratégicas, principalmente com os Estados Unidos, mas também com outros parceiros regionais como Austrália e Índia. A cooperação busca criar um contrapeso à influência chinesa no Indo-Pacífico.










