O terremoto de 24 de junho de 2026 que afetou a Venezuela, considerado o maior registrado no país em mais de 100 anos, levou ao resgate de brasileiros pelo governo federal. Com magnitudes registradas entre 7,2 e 7,5, o evento evidenciou a vulnerabilidade do país a eventos sísmicos.
A resposta para essa instabilidade está no subsolo. A Venezuela se encontra exatamente na borda de duas grandes placas tectônicas: a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. Essas gigantescas massas de rocha não estão paradas; elas se movem constantemente, deslizando uma em relação à outra em um processo lento e contínuo.
Esse movimento gera uma enorme pressão nas rochas ao longo das falhas geológicas, que são as fraturas na crosta terrestre. Quando a energia acumulada supera a resistência das rochas, ela é liberada de forma súbita, provocando as vibrações que conhecemos como terremotos. É como dobrar uma régua de plástico: ela aguenta a tensão até certo ponto, mas depois se rompe bruscamente.
A principal zona de falha
A maior parte da atividade sísmica na Venezuela está concentrada ao longo de um importante sistema de falhas que corta o país de leste a oeste. As principais são a Falha de Boconó, nos Andes venezuelanos, e as falhas de San Sebastián e El Pilar, que correm ao longo da costa do Caribe. Cidades importantes, incluindo a capital Caracas, estão situadas próximas a essas zonas de risco.
O histórico do país confirma essa vulnerabilidade. Um dos eventos mais devastadores ocorreu em 1812, quando um terremoto destruiu grande parte de Caracas. Mais recentemente, o sismo de Cariaco, em 9 de julho de 1997, reforçou o padrão de atividade na região.
Dessa forma, a geografia determina o risco. A localização da Venezuela sobre esse limite de placas torna os abalos sísmicos uma característica natural de seu território. As áreas de maior perigo são a Cordilheira dos Andes e toda a faixa litorânea do norte, onde a interação entre as placas é mais intensa e constante.










