A investigação do FBI sobre a Federação Argentina de Futebol (AFA), que apura um esquema de fraude estimado entre US$ 260 milhões e US$ 300 milhões, lança luz sobre como o esporte mais popular do mundo pode ser usado para lavagem de dinheiro. A apuração, iniciada em 2025, expõe como a paixão e as cifras astronômicas do futebol são utilizadas para legalizar fundos de origem ilícita, transformando clubes e jogadores em peças de um complexo tabuleiro financeiro.
Os métodos são variados e sofisticados, explorando brechas na regulamentação e a dificuldade de fiscalizar transações que cruzam fronteiras. Na prática, o processo busca dar uma aparência legítima a um dinheiro obtido de forma ilegal, como tráfico ou corrupção. As organizações criminosas se infiltram no esporte para movimentar esses valores de maneira discreta.
Como funcionam os esquemas
As táticas para lavar dinheiro no futebol costumam seguir alguns padrões. Um dos mais conhecidos é a superfaturação na transferência de jogadores. Um clube compra um atleta por um valor muito acima do seu preço de mercado. A diferença entre o valor real e o valor pago é o dinheiro “sujo” que, ao entrar na contabilidade do clube vendedor, passa a ter uma origem aparentemente legal.
Outras estratégias comuns incluem:
- Manipulação de bilheteria: clubes declaram a venda de um número de ingressos muito superior ao real, justificando a entrada de dinheiro vivo no caixa.
- Direitos de imagem e patrocínios: empresas de fachada, muitas vezes sediadas em paraísos fiscais, fecham contratos de patrocínio ou de direitos de imagem com valores inflacionados. O dinheiro ilícito retorna como receita legítima.
- Aquisição de clubes: grupos criminosos compram clubes, especialmente os que estão em crise financeira. Eles injetam capital ilegal disfarçado de investimento e passam a controlar todo o fluxo financeiro da instituição.
A jurisdição dos EUA
A razão pela qual agências como o FBI investigam entidades esportivas estrangeiras, como a AFA, está ligada ao sistema financeiro americano. A maioria das grandes transações internacionais, incluindo as do futebol, é realizada em dólares. Para que uma transferência em dólar ocorra, mesmo entre dois países diferentes, o valor geralmente precisa passar por um banco correspondente nos Estados Unidos.
Essa passagem pelo sistema financeiro americano concede às autoridades dos EUA jurisdição para investigar qualquer suspeita de crime financeiro, como fraude ou lavagem de dinheiro. No caso da AFA, as movimentações financeiras milionárias sob apuração teriam sido processadas em bancos nos Estados Unidos, o que justifica a atuação do FBI na investigação.









