Casos de morte súbita em atletas jovens chocam o público e levantam questões importantes: como alguém em pleno auge da forma física pode sofrer um mal súbito? A resposta está frequentemente em condições cardíacas silenciosas que não apresentam sintomas no dia a dia.
Principais causas da morte súbita
Em atletas com menos de 35 anos, a principal causa de morte súbita está ligada a doenças cardíacas hereditárias ou congênitas. A cardiomiopatia hipertrófica é uma das mais comuns. Nessa condição, a parede do músculo cardíaco se torna mais espessa, o que dificulta o bombeamento de sangue e pode levar a arritmias fatais durante o exercício intenso.
Outro fator de risco são as anomalias das artérias coronárias, que são os vasos que irrigam o próprio coração. Em alguns casos, essas artérias têm uma origem ou um trajeto anormal, podendo ser comprimidas durante a atividade física e interrompendo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco. Para atletas com mais de 35 anos, a causa mais frequente passa a ser a doença arterial coronariana, que é o acúmulo de placas de gordura nas artérias.
Como é feita a prevenção?
A prevenção é a ferramenta mais eficaz para evitar essas fatalidades e se baseia em uma avaliação médica rigorosa e periódica. Os clubes e federações esportivas adotam protocolos que incluem exames detalhados, indo muito além de uma simples consulta de rotina.
A investigação começa com um histórico clínico completo do atleta e de sua família, buscando casos de doenças cardíacas ou mortes súbitas. Em seguida, são realizados exames específicos para avaliar a saúde do coração. Os principais são:
- Eletrocardiograma (ECG): um teste simples e rápido que registra a atividade elétrica do coração, podendo identificar arritmias e outros sinais de problemas estruturais.
- Ecocardiograma: exame de ultrassom que cria imagens detalhadas do coração, permitindo ao médico avaliar o tamanho, a força do músculo cardíaco e o funcionamento das válvulas.
- Teste ergométrico: também conhecido como teste de esteira, avalia como o coração se comporta durante o esforço físico, monitorando a frequência cardíaca, a pressão arterial e o ritmo cardíaco.
Dependendo dos resultados iniciais ou do histórico do atleta, exames mais complexos, como a ressonância magnética cardíaca, podem ser solicitados para uma análise ainda mais aprofundada da estrutura e função do coração.










