Hoje, 15 de julho, é celebrado o Dia dos Homens no Brasil, e a data abre espaço para uma discussão que vai além dos exames de rotina: a saúde mental. Embora transtornos como ansiedade e depressão afetem milhões de homens no Brasil e no mundo, o tema ainda é cercado por um forte tabu que impede muitos de buscarem ajuda. A dificuldade em falar sobre emoções e a pressão social por uma imagem de força constante criam uma barreira silenciosa.
Essa resistência tem raízes culturais profundas. Desde a infância, muitos homens são ensinados a suprimir sentimentos como tristeza ou medo, associando a vulnerabilidade à fraqueza. A ideia de que precisam ser provedores infalíveis e emocionalmente inabaláveis contribui para que ignorem os próprios sinais de alerta. O medo do julgamento no trabalho, entre amigos ou até mesmo na família, faz com que o silêncio pareça a opção mais segura.
O resultado é que o sofrimento psicológico muitas vezes se manifesta de outras formas, menos diretas. Em vez de verbalizar a angústia, alguns homens podem desenvolver comportamentos de risco, como o abuso de álcool e outras drogas, a agressividade ou o isolamento social. Dores de cabeça constantes, problemas digestivos e alterações no sono também podem ser sintomas físicos de um problema emocional não resolvido.
Como identificar os sinais de alerta
Reconhecer que algo não vai bem é o primeiro passo. Os sintomas de depressão e ansiedade em homens podem ser diferentes dos mais conhecidos e incluem mudanças de comportamento que merecem atenção. Ficar atento a esses sinais em si mesmo ou em alguém próximo é fundamental.
- Irritabilidade e raiva: explosões de humor ou impaciência constantes podem mascarar uma tristeza profunda.
- Perda de interesse: abandonar hobbies, esportes e outras atividades que antes traziam prazer.
- Comportamento de risco: dirigir de forma imprudente, abusar de substâncias ou buscar adrenalina de maneira perigosa.
- Alterações físicas: cansaço extremo, dores sem causa aparente, mudanças drásticas de apetite ou peso.
- Isolamento: afastar-se de amigos e familiares e preferir ficar sozinho a maior parte do tempo.
Onde e como procurar ajuda
Romper o ciclo do silêncio é um ato de coragem e autocuidado. Buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, mas sim de força para retomar o controle da própria vida. O caminho para o bem-estar começa com um primeiro movimento.
Conversar com um amigo de confiança ou um familiar pode ser uma forma de aliviar a pressão inicial. Outra opção é procurar atendimento especializado. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que contam com equipes multidisciplinares. Para encontrar o CAPS mais próximo, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) de sua região ou acesse o site da Secretaria de Saúde de seu município. Também é possível encontrar psicólogos e psiquiatras em clínicas particulares ou por meio de planos de saúde.
Em casos de crise ou pensamentos suicidas, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, disponível 24 horas.










