A Copa do Mundo de 2026, com sua organização envolvendo múltiplos países e figuras políticas de destaque, reacende o debate sobre a influência de líderes mundiais no futebol. A polêmica, no entanto, está longe de ser um caso isolado. A história do torneio é marcada por episódios em que a política ditou regras dentro e fora de campo.
Desde propaganda de regimes autoritários até boicotes que mudaram as regras do esporte, o evento já foi palco para diversas manifestações de poder. Relembre cinco momentos em que a Copa do Mundo e a política se misturaram de forma controversa.
1. O mundial de Mussolini (1934)
A segunda edição da Copa, realizada na Itália, foi transformada em uma grande ferramenta de propaganda para o regime fascista de Benito Mussolini. O ditador viu no torneio a oportunidade de exaltar o nacionalismo e a força do país. A seleção italiana venceu, mas a conquista foi manchada por fortes suspeitas de pressão sobre a arbitragem para favorecer os anfitriões.
2. Chile x URSS (1974)
Um dos episódios mais simbólicos ocorreu em novembro de 1973, durante as eliminatórias para a Copa de 1974. A União Soviética se recusou a jogar a partida de volta da repescagem contra o Chile no Estádio Nacional de Santiago. O local havia sido usado como centro de tortura e execução pelo regime militar de Augusto Pinochet, instaurado meses antes, naquele mesmo ano. A Fifa ignorou os apelos soviéticos e o Chile se classificou após entrar em campo sozinho e marcar um gol simbólico.
3. A Copa da ditadura argentina (1978)
A Argentina sediou e venceu a Copa do Mundo sob a violenta ditadura militar comandada por Jorge Videla. O regime usou o evento para projetar uma imagem de normalidade e alegria ao mundo, enquanto promovia perseguições, torturas e desaparecimentos. A vitória da seleção, especialmente a goleada de 6 a 0 sobre o Peru, que garantiu a vaga na final, até hoje é cercada por suspeitas de manipulação.
4. Boicote africano (1966)
Na Copa da Inglaterra, as nações africanas organizaram um boicote em massa. O protesto foi contra uma regra da Fifa que obrigava o campeão das eliminatórias da África a disputar uma vaga final contra o vencedor da Ásia ou Oceania. A manifestação política foi bem-sucedida: a partir da Copa de 1970, o continente africano passou a ter uma vaga direta garantida no torneio.
5. As escolhas de Rússia e Catar (2018 e 2022)
A decisão da Fifa de escolher a Rússia e o Catar como sedes consecutivas gerou uma das maiores crises da história da entidade. As escolhas foram acompanhadas por inúmeras denúncias de corrupção, compra de votos e favorecimento político. O processo expôs as disputas geopolíticas que influenciam as decisões no alto escalão do futebol mundial, levantando debates sobre direitos humanos e transparência.










