A recente condenação de uma mãe e um padrasto a mais de 30 anos de prisão em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, pela morte de uma criança de dois anos após sucessivas agressões ocorridas em 2022, acende um alerta nacional sobre a violência doméstica. Identificar os sinais de maus-tratos é o primeiro passo para proteger crianças e adolescentes em situação de risco, e essa responsabilidade é de toda a sociedade.
Os indícios podem ser sutis ou evidentes, mas exigem atenção. Eles se manifestam tanto no corpo quanto no comportamento, e conhecer os principais padrões ajuda a diferenciar acidentes comuns da infância de agressões recorrentes.
É importante notar que um sinal isolado pode não indicar abuso, mas a combinação de vários indícios ou a recorrência deles deve ser um forte motivo de alerta.
Sinais físicos que merecem atenção
As marcas físicas são frequentemente o primeiro sinal de alerta. É importante observar a localização e a recorrência das lesões, pois elas podem indicar um padrão de abuso.
- Hematomas e contusões: lesões frequentes, especialmente em locais incomuns como o rosto, as orelhas, o pescoço ou as costas. Marcas com formatos de objetos, como cintos ou fivelas, são um forte indicativo.
- Queimaduras: podem ter formatos de cigarros, ferros de passar roupa ou apresentar padrões de líquidos quentes derramados de forma suspeita.
- Fraturas e luxações: ossos quebrados ou deslocamentos sem uma explicação coerente para a lesão, principalmente em bebês e crianças pequenas, que não têm mobilidade para sofrer certos tipos de acidentes.
- Higiene precária: descuido constante com a limpeza, roupas sujas ou inadequadas para o clima e falta de tratamento para problemas de saúde evidentes são sinais de negligência.
Alterações de comportamento são um alerta de maus-tratos
Nem sempre a violência deixa marcas visíveis. Mudanças no comportamento da criança podem ser um pedido de socorro silencioso e nunca devem ser ignoradas.
- Mudanças de humor repentinas: alternância entre agressividade, choro excessivo, apatia ou isolamento social sem motivo aparente.
- Medo de adultos: a criança demonstra pavor ou ansiedade na presença de um familiar ou cuidador específico, evitando o contato físico ou visual.
- Regressão no desenvolvimento: uma criança que já havia deixado as fraldas volta a urinar na cama ou perde habilidades de fala que já dominava.
- Dificuldades escolares: queda brusca no rendimento, falta de concentração ou problemas de relacionamento com colegas e professores.
Ao notar um ou mais desses sinais, é fundamental agir. Qualquer pessoa pode reportar uma suspeita de maus-tratos de forma anônima pelo Disque 100. Os Conselhos Tutelares de cada município, assim como escolas, unidades de saúde e autoridades policiais, também são canais para receber denúncias e garantir a proteção das crianças e adolescentes.










