A polinização feita por abelhas nativas sem ferrão pode ser responsável por até 56% do peso e 50% da quantidade de grãos em cultivos de arroz anão. A descoberta, revelada em um estudo da Embrapa realizado no Rio de Janeiro, reforça o papel vital desses insetos para a agricultura brasileira e a segurança alimentar, desafiando a ideia de que o grão depende apenas do vento para se reproduzir.
Conhecidas como meliponíneos, essas abelhas são encontradas em todo o território nacional e se destacam por sua docilidade. Diferente das abelhas com ferrão, como a africanizada, elas são mais seguras para a criação perto de residências e em áreas urbanas, o que tem popularizado a meliponicultura.
O trabalho delas como polinizadoras é essencial para a manutenção de ecossistemas e para o cultivo de alimentos como café, açaí, tomate e maracujá. Sem a visita desses insetos, muitas plantas não conseguem se reproduzir ou gerar frutos com a mesma qualidade e em quantidade suficiente para atender à demanda.
A criação dessas abelhas, chamada de meliponicultura, está se expandindo no Brasil. A prática não visa apenas a extração de mel, que possui sabor e propriedades únicas, mas também a educação ambiental e a conservação das espécies, muitas delas ameaçadas pelo desmatamento e pelo uso de agrotóxicos.
Conheça as principais espécies de abelhas nativas sem ferrão
O Brasil abriga centenas de espécies de abelhas sem ferrão, cada uma adaptada a um bioma específico. Entre as mais conhecidas estão a Jataí, a Mandaçaia e a Uruçu. Conhecer suas particularidades ajuda a entender a diversidade e a importância desses insetos.
A Jataí (Tetragonisca angustula) é uma das menores e mais populares. Facilmente encontrada em muros e árvores de áreas urbanas, é ideal para criadores iniciantes. Seu mel é valorizado por suas propriedades medicinais, sendo mais líquido e ácido que o tradicional.
Já a Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), cujo nome em tupi significa “vigia bonito”, é maior e fundamental para a polinização de diversas culturas agrícolas. Sua criação exige um pouco mais de cuidado, mas recompensa com um mel de sabor suave e grande valor comercial.
A Uruçu-amarela (Melipona rufiventris) é uma das maiores abelhas nativas e excelente produtora de mel. É crucial para a flora do Cerrado e da Mata Atlântica. Sua presença indica um ambiente ecologicamente equilibrado.
O estudo da Embrapa com o arroz anão, realizado na região centro-norte fluminense, quantifica um benefício crucial. A pesquisa demonstra como a integração da agricultura com a criação de polinizadores nativos pode gerar sistemas mais produtivos e sustentáveis, diminuindo a dependência de insumos externos e valorizando a biodiversidade local.










